Marcado por grandes números e cifras superiores a nove dígitos, o setor de cartão de crédito foi eleito pelos bancos como o principal foco de negócios em 2006. Coincidentemente, há exatos 50 anos o Brasil conhecia seu primeiro cartão de crédito, o Diners Club, do empresário Hanus Tauber, mas que era aceito em raros estabelecimentos. De lá pra cá, muita coisa mudou. Com a economia estável, o dinheiro de plástico passou a ser aceito em mais de 1 milhão de estabelecimentos, mas ainda não está nos bolsos de todos os brasileiros.

Até abril, o País contava com 71 milhões de cartões de crédito com bandeiras – 144% mais que em 2000. O volume de transações subiu de R$ 48,4 bilhões para R$ 129,1 bilhões – crescimento de 166,7%. Mas, apesar de altos, os números mostram que o potencial de crescimento é bastante elevado. Segundo Fernando Chacon, diretor-executivo de Marketing e Vendas da Credicard Itaú, líder com 19,4% do mercado, apenas 40 milhões de pessoas no País têm cartão de crédito. "Alguns não podem ter e outros ainda não descobriram as facilidades do produto.

Até o final do ano, a expectativa é colocar mais 9 milhões de cartões no mercado, alcançando 80 milhões de unidades, crescimento de 18% sobre 2005. Mas, para elevar a base e suas receitas, os bancos terão de seduzir o consumidor com propostas criativas, já que todos decidiram voltar suas atenções para o produto este ano.

Cada um aposta num tipo de estratégia, mas uma é comum a todas instituições: a parceria com redes varejistas para colocar bandeiras nos cartões de loja. No mercado, dizem que é a migração dos cartões private label (bandeira própria) para o co-branded (bandeira compartilhada), uma alternativa para atingir também classes mais baixas. Ou seja, quem tem cartões de loja poderá usá-los em outros estabelecimentos

A lógica é simples: hoje o mercado brasileiro conta com 103 milhões de cartões de loja, com um volume de transação que beira R$ 22 bilhões (bem abaixo dos R$ 129 bilhões dos cartões com bandeiras). Fazer parcerias com os varejistas e pôr bandeiras nos cartões seria cortar um bom caminho na conquista do consumidor. Até porque muitos dos clientes de lojas não são bancarizados. Foi o que fez a C&A ao criar o Ibicard. Ela aproveitou sua base de clientes e lançou sua própria bandeira, afirma o diretor-executivo do Bradesco, Paulo Isola. "É um mercado com grande potencial de crescimento.

Em novembro de 2005, o Bradesco também entrou nesse nicho. A instituição fechou acordo com a Casas Bahia e lançou um cartão com bandeira Visa, que não tem anuidade no primeiro ano. Nesta parceria, a expectativa é atingir 3 milhões de plásticos até o fim do ano e elevar a carteira de private label do banco para 6 8 milhões. Na base de cartão de crédito – sem considerar cartões de loja e 1,2 milhão de unidades da América Express (Amex) -, o banco espera alcançar 10 milhões de plásticos no final do ano.