O governo não consegue resolver o problema do desemprego. Nem sabe como fazê-lo. Tenta medidas keynesianas, como a abertura de diversos concursos públicos, dando empregos nos próprios quadros do governo. É criticado por especialistas, que consideram a máquina estatal demasiadamente pesada para a nação. Inchá-la ainda mais, num país que tem uma pesadíssima carga tributária, parece insensato. Programa contra o desemprego, recorda-se de apenas um, que fracassou. Foi o do “primeiro emprego”, que em quase meio ano só conseguiu preencher uma vaga. Foi mal concebido, não levou em conta os verdadeiros interesses das empresas empregadoras em potencial e ofereceu incentivos pouco atraentes. Agora, Lula mandou reformulá-lo, para ver se o salva.

Mas, acaba de surgir uma medida que merece mais atenção. É a convocação para as Forças Armadas de trinta mil jovens, além dos 64 mil que já era previsto convocar em agosto próximo. Serão soldados diferentes, pois vão ser arregimentados entre a população carente, retirando-os das ruas e afastando-os da criminalidade. Considerando-se que é um número de quase a metade do contingente que irá ser incorporado, não se pode dizer que se trata de uma medida apenas simbólica. Por mais que o problema do desemprego seja imenso, trinta mil carentes jovens recebendo moradia nos quartéis, alimentação, quem sabe um pequeno soldo e principalmente a disciplina e os ensinamentos que as Forças Armadas podem oferecer significam, no mínimo, uma ação social e educativa respeitável.

A idéia é fazer desses novos convocados soldados distintos dos demais, pois cinco mil deles terão um período curto de treinamento básico e, a seguir, irão construir casas populares na região amazônica. O programa foi montado em conjunto pelo Exército, Ministério do Trabalho e pelas confederações brasileiras do Comércio e da Indústria. Nele, os recrutados receberão treinamento profissional antes de voltarem à vida civil.

O jornal inglês Financial Times trata com desconfiança desse programa. Diz, invocando a opinião de um especialista, que o Exército não tem verbas para cobrir sequer os custos de suas atividades normais. Também seria uma distorção da missão do Exército e, como critica Ademar Faljone, consultor de relações trabalhistas de São Paulo ouvido pelo jornal, “é uma tolice achar que os números envolvidos farão qualquer diferença. Há milhões de pessoas desempregadas nas nossas cidades”.

Tudo isso é verdade, mas olhemos para o sentido não só econômico desse programa. Vejamo-lo também como um programa social. Uma programa que envolve trinta mil jovens carentes, lhes oferece instrução profissional e militar e resulta, ainda, na construção de casas populares numa região carente como a Amazônia. É uma iniciativa pequena, que não retira e pouco reduz a responsabilidade deste governo e da economia do País de gerarem suficientes empregos e cuidarem dos problemas sociais. Mas é um passo positivo que enfrentará dificuldades, mas, se realizado, colherá benefícios nada desprezíveis.

A geração de empregos, em número suficiente ou mesmo muito menor do que o prometido na campanha eleitoral por Lula, continua dependendo do desenvolvimento econômico. Do “espetáculo do desenvolvimento” que prometeu, mas ainda sequer ensaiou. Mas não sejamos tão negativos. Vamos aplaudir pelo menos esse programa que poderá beneficiar o número considerável de trinta mil jovens carentes.