Marcelo Sant’Anna/Estado de Minas

Crise do setor aéreo só deve ser minimizada no final do primeiro semestre de 2007.

Passageiros que tentaram embarcar ontem no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, na Ilha do Governador (zona norte), sofreram com filas enormes nos guichês das companhias aéreas, falta de informações e atrasos de até cinco horas nos vôos. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) divulgou que, entre meia-noite e 17h, 52 dos 103 vôos programados partiram com mais de uma hora de atraso e nenhum foi cancelado. Desta vez, no entanto, o problema não foi provocado pelos controladores de vôo.

A Anac informou ainda, por meio de nota oficial, que o transtorno ocorreu por conta do mau tempo que atingiu São Paulo no início da noite de terça-feira. Em razão das trovoadas e fortes rajadas de ventos, o controle do espaço aéreo inverteu, por três vezes, o sentido de pousos e decolagens das aeronaves na pista do Aeroporto Internacional de Congonhas, o principal ponto de conexão do País. A situação só foi normalizada após as 2h de ontem, o que afetou a chegada e partida de vôos em, pelo menos, 14 aeroportos.

O presidente do Sindicato Nacional de Empresas Aeroviárias (Snea), Marco Antonio Bologna, afirmou ontem, em entrevista coletiva, que a crise do setor aéreo só deve ser minimizada no final do primeiro semestre de 2007. ?Ainda teremos problemas nesse final de ano?, admitiu. A melhoria do setor, disse, só vai começar a ser sentida com o início das operações dos novos controladores (cerca de 160) que já foram contratados e passarão por treinamento nos próximos três meses.

Segundo ele, entretanto, o gargalo neste segmento não pode ser considerado o principal problema, já que, proporcionalmente, a quantidade de pessoas que atuam no controle do tráfego aéreo seria, em sua opinião, condizente com outros países. ?Nos Estados Unidos existem sete mil aeronaves voando, controladas por 13 mil pessoas. Aqui no Brasil são 700 aviões e mais de 2 mil controladores?, comparou.

Bologna afirmou ainda que os prejuízos do setor com a atual crise podem chegar a R$ 80 milhões, considerando o valor desembolsado para hospedagem, traslado e alimentação de passageiros com vôos atrasados, pagamento de horas extras a funcionários, entre outros custos. O valor exato está sendo calculado por um grupo de trabalho formado pela Agência Nacional da Aviação Civil (Anac). ?Em posse dos custos exatos auditados pela Anac, cada empresa poderá tomar suas próprias atitudes, de cobrar reembolso do governo, por exemplo, por meio judicial?, exemplificou.