Nos dois dias anteriores e no dia 17 passado, quando houve o acidente com o Airbus 320 da TAM, em que morreram 199 pessoas, pilotos relataram às torres de controle situações de perigo na pista principal do Aeroporto de Congonhas. Entre elas, relataram que se encontrava "molhada e escorregadia", "abaixo do mínimo para pouso", "levemente escorregadia", "escorregadia", "muito escorregadia", e "escorregadia com aquaplanagem".

As ocorrências foram entregues ao comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, que as enviou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Apagão Aéreo. Pelo conteúdo do relatório, verifica-se que funcionários fizeram pouco caso das advertências. A Infraero chegou a pedir no dia 15 que fossem feitas vistorias e informada a existência de lâmina de aquaplanagem na pista, logo depois do alerta de pilotos que pousavam. De acordo com os documentos enviados pela Aeronáutica, uma equipe comandada pelo supervisor Lucas, no entanto, concluiu sem maiores detalhes, que a vistoria não era necessária.

No dia do desastre com o avião da TAM, o piloto da Gol, vôo 1697 que pousou uma hora e quarenta e cinco minutos antes – 17h04 – informou que a pista estava escorregadia. As operações foram então suspensas. Houve inspeção, encerrada trinta minutos depois com a informação de que não havia poças ou lâminas d’água na pista, imediatamente reaberta.

O vôo 3054 da TAM – o do acidente, que saíra de Porto Alegre – pousou aparentemente sem problemas, relata o livro de ocorrências do Comando da Aeronáutica. Diz o relato: "O TAM 3054 vinha em final normal. Foi informado sobre pista escorregadia. Havia aeronave alinhada e outra cruzando para ponto de espera. Após o cruzamento, a aeronave alinhada decolou e o TAM 3054 foi autorizado a pousar. Após o pouso, e após a tentativa de parar, a aeronave ganhou velocidade e ultrapassou o final da pista, projetando-se na avenida". O relatório acrescenta ainda que o avião PT RFQ, "que estava decolando, foi informado do ocorrido mas não teve tempo de interromper a corrida de decolagem".

Pouca aderência

No dia anterior ao acidente com o avião da TAM, o piloto do vôo 1879 da Gol arremeteu devido à chuva forte, por volta das 7h20. Em seguida, informou que a pista "não estava grande coisa, com pouca aderência". Oito minutos depois, o TAM 3020 informou que a pista estava "levemente escorregadia". Em seguida, foi a vez de o TAM 3461 dizer que a pista estava "escorregadia". Por sua vez, o Gol 1203 avisou que a pista estava "muito escorregadia". Também no mesmo dia, o TAM 3006 disse que a pista estava "bem escorregadia, com aquaplanagem".

Conforme o boletim de ocorrência da Aeronáutica, a Infraero solicitou inspeção da pista, devido aos seguidos alertas dos pilotos. O funcionário Enildo informou haver ausência de poças e lâmina d’água. Logo após, o vôo 1542 da Pantanal pousou. Após o toque, aquaplanou, saiu da pista, cruzou outra, fez uma curva de 180 graus e parou na grama. A pista foi interditada, os bombeiros acionados.