O satélite sino-brasileiro CBERS-4 foi lançado por volta da 1h deste domingo, 07, do Centro de Lançamento de Satélites Taiyuan, na China. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que coordena a equipe brasileira, ele entrou em órbita a 778 quilômetros de altitude, conforme previsto.

O CBERS-4 será usado para diversas aplicações, incluindo mapas de queimadas e monitoramento do desflorestamento da Amazônia, da expansão agrícola, até estudos na área de desenvolvimento urbano. O Brasil não tinha um satélite próprio de sensoriamento remoto em órbita desde 2010, quando o CBERS-2B foi desativado.

O lançamento do CBERS-4, inicialmente programado para dezembro de 2015, foi antecipado por causa do acidente que destruiu o CBERS-3, no fim de 2013, após falha no foguete chinês. De acordo com o diretor do Inpe, Leonel Perondi, foi preciso grande esforço para cumprir o cronograma de montagem. Segundo ele, a causa do acidente do foguete chinês foi detectada e as falhas foram estudadas para que o acidente não se repetisse. “A cadeia de processos para o lançamento foi revista e requalificada para que tivéssemos um lançador robusto.”

O programa CBERS previa que o satélite fosse montado e tivesse seus componentes integrados no Inpe, em São José dos Campos (SP). Mas, com a mudança no cronograma, os procedimentos tiveram de ser feitos na China. Segundo Perondi, o CBERS-4 é gêmeo do CBERS-3 e suas peças já estavam na China. Com isso, foi montado no país com a participação de engenheiros e técnicos brasileiros.

Os brasileiros construíram 100% dos componentes de energia do satélite. “Foram projetadas e fabricadas no País duas das quatro câmeras. São equipamentos de alta complexidade e tecnologia.” Perondi diz que o trabalho, feito em São Carlos (SP), resultou na formação de equipe altamente qualificada.

Segundo o diretor, a missão de lançamento do satélite custou cerca de US$ 100 milhões – cada país investiu 50% do total. Ele afirma que, desde 2004, o CBERS-3 e o CBERS-4 renderam a assinatura de ao menos 15 contratos com empresas brasileiras. “Os valores envolvidos passaram de R$ 150 milhões.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.