O encerramento da apuração do primeiro turno das eleições não apenas definiu o cenário político do país, mas também colocou em xeque o desempenho dos principais institutos de pesquisa do Brasil. Em um pleito marcado pela expressiva votação no Sul — onde Flávio Bolsonaro (PL) venceu em 350 das 399 cidades paranaenses —, apenas o Instituto GERP conseguiu antecipar com precisão a vantagem do candidato do PL sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na véspera da votação, registrando o placar de 40% contra 37%.

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O resultado das urnas expôs uma clara divergência em relação a outros levantamentos de alcance nacional, que subestimaram a força do eleitorado conservador na reta final, especialmente no Paraná e na Região Sul.

O que cada instituto mostrava

Entre os concorrentes, o Paraná Pesquisas e a Quaest indicavam um cenário de empate técnico no limite da margem de erro, mostrando as menores distâncias entre os dois candidatos antes da abertura das urnas.

Por outro lado, institutos como AtlasIntel, Datafolha e PoderData mantiveram o candidato petista na liderança isolada. A AtlasIntel trazia Lula com cerca de 47% dos votos válidos, enquanto o Datafolha registrava até seis pontos percentuais de vantagem sobre o rival — figurando entre os levantamentos que mais se distanciaram do quadro final.

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Vale lembrar um cuidado técnico ao comparar: as pesquisas de véspera divulgam percentuais de intenção de voto sobre o total de entrevistados, enquanto a apuração oficial do TSE contabiliza apenas os votos válidos. Por isso, o confronto dos dados serve para indicar tendências e a ordem dos candidatos, e não necessariamente uma correspondência numérica exata.

Em entrevista exclusiva à Tribuna do Paraná, o presidente e fundador do GERP, Gabriel Pazos, revelou que a precisão do levantamento não foi obra do acaso, mas sim do rigor na montagem das entrevistas. “O principal diferencial do GERP está no desenho correto da amostra e no rigor absoluto de sua execução durante a coleta de dados. Não basta entrevistar muitas pessoas; é fundamental entrevistar as pessoas certas, nas proporções corretas”, destacou o executivo.

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Segundo Pazos, o acompanhamento diário (tracking) feito pelo instituto permitiu identificar a migração e a consolidação do eleitorado paranaense e do interior do país sem distorcer o peso das regiões. “Na GERP, a amostra é cuidadosamente desenhada para reproduzir a distribuição geográfica e o perfil sociodemográfico dos eleitores. Dessa forma, conseguimos acompanhar os movimentos eleitorais regionais sem superestimar ou subestimar artificialmente a participação de qualquer região”, explicou.

Questionado sobre as diferenças em relação aos concorrentes e o uso de entrevistas telefônicas (CATI), o presidente do GERP ressaltou que a privacidade do telefone ajuda no cenário atual de polarização, mas ponderou que a tecnologia não faz milagres sozinha. “O CATI oferece vantagens como abrangência geográfica e acompanhamento em tempo real, mas o telefone é apenas o instrumento. O que determina a qualidade de uma pesquisa é a metodologia e o controle durante a coleta”, concluiu.

Acertar a ordem não é tudo

Embora o GERP tenha cravado quem ficaria na frente, o instituto projetou três pontos de vantagem para Flávio, enquanto a diferença oficial nas urnas ficou perto de dois pontos. A variação está dentro da margem de erro esperada para levantamentos amostrais, mas reforça que captar a tendência geral do eleitorado é diferente de prever o número exato com precisão decimal.

Com o segundo turno a menos de três semanas, os levantamentos voltam ao centro das atenções. Os institutos que ficaram mais distantes do resultado das urnas terão o desafio de demonstrar eventuais ajustes de rota em suas metodologias, enquanto quem acertou a tendência precisará provar a consistência de seus métodos na reta final da disputa.