Rio (AG) – Gratuita, só no nome: a propaganda eleitoral na televisão, que começa terça-feira, consome boa parte dos orçamentos de campanha – e, embora todos façam mistério das cifras, no mercado publicitário estima-se que um candidato a prefeito com chances na disputa gastará, no mínimo, R$ 80 mil por minuto de TV caso queira atrair a atenção do eleitor/telespectador. Este valor inclui, por exemplo, vinhetas com computação gráfica, jingles diferenciados ou filmes de animação. Mas pode crescer se o programa exigir imagens aéreas ou a contratação de artistas. Um produtor de filmes publicitários e de cinema de uma das maiores empresas do Brasil estima que, por mês, o partido gaste com o programa de R$ 1,5 milhão a R$ 2,5 milhões.

Pela Lei Eleitoral, as emissoras de rádio e TV têm direito de abater do Imposto de Renda oito décimos do valor que cobrariam para a veiculação de publicidade nos horários das inserções dos partidos. E dois décimos do preço da publicidade paga nos dois blocos diários. Porém, o consultor jurídico da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Alexandre Jobim, explica que apenas empresas que fecham o ano com lucro recebem o desconto. E quem adere ao Simples, o Imposto Único para Micro e Pequenas Empresas, não tem direito ao benefício. Segundo Alexandre Jobim, 85% das emissoras de rádio e 50% dos canais de TV são cadastrados no Simples.

As produtoras enfrentam outro tipo de problema: “Numa produtora grande, a taxa de administração fica em torno de 50%, porque o risco de calote é grande. E quase todo mundo que trabalha em campanha pede pagamento adiantado, porque se não for assim é quase certo que vai ficar sem receber”, diz o dono de uma das maiores produtoras de filmes publicitários do País.