O Instituto Nacional de Criminalística (INC) da Polícia Federal recebeu o último lote residual de documentos de defesa do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que responde a processo por quebra de decoro parlamentar. A entrega do material estava sendo dificultada por órgãos do governo alagoano, controlados por aliados de Renan, e só foi feita, com atraso, mediante pressão do Conselho de Ética, onde corre o processo.

Com esses últimos dados, a Polícia Federal acredita ter condições de concluir até o próximo dia 14 o laudo que vai atestar se existiram as operações de venda de gado e, ainda, se o senador recebeu ou não a ajuda de um lobista para o pagamento de contas pessoais.

Para o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), o futuro político de Renan dependerá do laudo dos peritos da Polícia Federal. ?Se o resultado for contra ele, dificilmente terá os votos necessários para manter o mandato?, previu. O motivo, segundo o parlamentar goiano, é que a existência de notas frias, de operações falsas de compra e venda de gado ou de qualquer outro perjúrio resultará na constatação de que o senador não respeitou o decoro do cargo.

Demóstenes acha importante que os peritos procedam ao teste da contemporaneidade nos recibos assinados por Renan. A avaliação mostraria se as datas dos documentos coincidem com as de venda do gado ou são posteriores.