Brasília – Algumas vítimas do acidente com o avião da TAM podem não ser idenficatas. A afirmação é do perito médico legista da Polícia Civil do Distrito Federal, Matheus Fonseca Galvão. Especialista em grandes acidentes, Galvão disse que a possibilidade existe, mesmo que remota.

?Essa possibilidade, ainda que remota, existe, sim. Dependendo do tempo em que o corpo ficou exposto a [altas] temperaturas, é possível que haja degeneração completa do DNA. Então, em casos excepcionais, pode acontecer de não termos a identificação?, afirmou o perito, em entrevista à Rádio Nacional.

Nesse caso, disse ele, caberá à Justiça declarar a morte provisória do indivíduo que, após um processo, é declarado morto. ?Estou certo de que, se por acaso alguma vítima não for identificada, não será por falta de empenho, por falta de material, por falta de aplicação técnica da Polícia do estado de São Paulo?, ressaltou Galvão. Ele lembrou que inclusive uma equipe do Rio Grande do Sul foi convidada.

Galvão acompanhou o resgate das vítimas do acidente da TAM, ocorrido no último dia 17. O perito chegou ao local do acidente no mesmo dia, como emissário de disponibilidade da Polícia Civil do Distrito Federal. Ele explicou que, em uma situação de desastre de massa, a primeira ação é identificar os corpos que estão menos carbonizados e aqueles em que existe algum tipo de informação.

?A rotina é a seguinte: Você separa os cadáveres em adultos e crianças, homens e mulheres. Aí, você tem a ficha e separa. Aí, chega uma família e fala assim: O meu parente tinha uma placa de titânio no corpo. Então, as radiografias são realizadas e assim que aparece é feita a comparação e esse está identificado?. No caso do acidente da TAM, Matheus Galvão disse que a maioria dos corpos deverá ser identificada por exames genéticos.

De acordo com o perito, existem três técnicas que podem ser usadas para reconhecimento dos corpos. A primeira é a papiloscopia, ou seja, análise das impressões digitais. A segunda é a antropologia forense, na qual são comparadas características básicas, como estatura, sexo, idade, etnia, compleição física, cor da pele e sinais particulares, como a forma do sorriso, a disposição e o tamanho dos dentes, ou fraturas e cirurgias sofridas pela pessoa.

Não sendo possível a identificação pela antropologia, o próximo método é o genético, pelo DNA, que, segundo Matheus Galvão, é mais demorado. ?Nós vamos ter que reconstruir a possibilidade genética daquele indíviduo. Então, colhe-se material genético dos familiares, dos pais, dos filhos, dos irmãos. Quanto mais próximo, melhor?, afirmou. O perito lembrou que é possível também encontrar fonte de DNA na escova de dente ou na fronha do travesseiro onde existam fios de cabelo. Segundo o perito, a fonte de DNA pode ser utilizada no laboratório

No caso do acidente com o avião da Gol, em setembro do ano passado, em que morreram 154 pessoas, a dificuldade inicial foi grande, até surgir a informação de que não havia sobreviventes. No local, o maior problema foi o efeito do tempo nas condições dos corpos.

?[Foram] Poucos casos de carbonização, alguns [corpos] ficaram sob a asa do avião – foram os últimos a ser identificados  – e levou um tempo bem maior, pela dificuldade do próprio caso?. Galvão disse que, em São Paulo, ocorreu o contrário: ?A confirmação do acidente foi imediata, a questão de que não havia sobreviventes se deu de forma muito rápida, e a proporção e intensidade da carbonização é completamente diferente?.

Galvão contou que percebeu uma mobilização gigantesca de toda a equipe em São Paulo, da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar e da Polícia Civil e de todos os peritos. ?A gente tem que entender realmente a angústia, a apreensão das famílias, mas podemos observar que o trabalho está sendo feito com muito afinco, com muita garra, com muito entusiasmo pela equipe de São Paulo?.