Ministro falador perde o emprego

Assunção – O ex-ministro da Justiça e Trabalho do Paraguai José Burró reconheceu ontem que errou ao qualificar brasileiros e argentinos de “sem-vergonha” e, por isso, foi obrigado a pedir demissão do cargo. Burró, que provocou uma repentina crise diplomática com os dois principais parceiros do Mercosul, admitiu que falou demais. Mas também disse que não se arrependeu.

O ex-ministro declarou que não iria “permitir que nenhum ?curepí? (nome depreciativo em guarani com que os argentinos são chamados) e nenhum bandeirante (em relação aos brasileiros) venham me ensinar moral, bando de sem-vergonhas”. As declarações foram feitas depois de o embaixador brasileiro em Assunção, Augusto de Castro Neves, ter dito que seu país estava disposto a continuar com os investimentos desde que houvesse condições de segurança jurídica e consolidação das instituições no Paraguai. Burró negou, porém, que tenha respondido a esta observação.

“Eu não tinha conhecimento das declarações do embaixador Castro Neves”, disse o ex-ministro da Justiça, explicando que se incomodou com a pergunta de um jornalista paraguaio que insinuou que ele estava de acordo com as acusações de ilegalidade feitas pelos brasileiros.

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