O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretendia comparecer ao 5º Congresso Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), que teve início nesta segunda-feira (11), em Brasília, mas foi vetado pelas lideranças do movimento. Conforme revelou o dirigente nacional Vanderlei Martini, a Casa Civil acenou com a possibilidade de o presidente participar do congresso, indo ao ginásio Nilson Nelson, onde está sendo realizado, mas a coordenação recusou.

"A conexão foi feita pelo ministro Luis Dulci (secretário geral da Presidência) e também pelo ministro Tarso Genro (Justiça). Nós respondemos que o principal objetivo não era receber ou ser recebido pelo presidente, mas discutir a reforma agrária", disse Martini. Foi dito aos interlocutores que, se o presidente quisesse, uma comissão do MST iria até ele depois do congresso. Procurados, os ministros não foram encontrados.

O descontentamento com o governo Lula será manifestado numa carta a ser entregue ao presidente na quinta-feira. O texto ainda não está pronto – será definido durante os debates -, mas Martini adiantou que a mensagem conterá "críticas duras" como jamais o presidente ouviu do MST. Ao ser perguntado se o movimento vai romper com o governo Lula, o dirigente disse que é o presidente que está se afastando "cada vez mais" dos movimentos sociais. "Não é o MST que está rompendo. O que se deve perguntar é porque o governo Lula está se afastando do povo brasileiro e, cada vez mais, se aproxima do agronegócio e dos banqueiros."

O congresso terá amanhã palestras e debates internos. Na quinta-feira, haverá um evento político em defesa da reforma agrária, com a presença de sete governadores, parlamentares e prefeitos. Depois do encontro com governadores haverá uma passeata com manifestações na frente da Embaixada dos Estados Unidos, contra o imperialismo americano, e no Itamaraty, para pedir a retirada das tropas do Haiti. Em seguida, a marcha segue até o Palácio do Planalto para levar a carta ao presidente.