São Paulo – Setenta e três anos após ter assassinado cruelmente o agricultor baiano Manuel Salinas, Virgulino Ferreira, o Lampião, morto em 1938, foi condenado ontem a oito anos de prisão em regime fechado. A pena aplicada, a mínima para esse tipo de crime, teve atenuantes porque os “jurados” chegaram à conclusão de que o crime teve uma atenuante: Salinas delatava os cangaceiros à polícia. Durante julgamento simulado realizado no Centro Acadêmico 11 de Agosto, uma espécie de aula magna do curso de Direito da Universidade de São Paulo (USP), os sete estudantes que fizeram o papel de jurados atenderam, parcialmente, ao pedido do promotor Luiz Marcelo Teodoro de que “mudassem a história.” O pedido faz sentido. Em sua trajetória de quase 20 anos no cangaço, Lampião jamais foi julgado. O juiz de Triunfo (PE), Assis Timóteo, que pesquisou os processos nos quais o bandoleiro foi indiciado, chegou à conclusão de que ele seria condenado a mais de mil anos de cadeia.