Brasília – A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios poderá promover uma acareação entre quatro investigados pela suspeita de lavar dinheiro para o esquema do mensalão. Sub-relator de movimentações financeiras, o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) irá propor que sejam postos frente a frente os empresários Marcos Valério e Enivaldo Quadrado, dono da corretora Bônus-Banval; e os doleiros Najun Turner e Carlos Alberto Quaglia, dono da corretora Natimar. O objetivo é tentar descobrir novas pistas da origem e do destino dado ao dinheiro que abasteceu o esquema.

Em depoimento anteontem à CPMI, Quaglia admitiu que sua empresa foi usada pela Bônus-Banval para lavar dinheiro. A Natimar recebeu R$ 6,5 milhões de duas firmas de Valério (2S e Tolentino) em sua conta na Bônus-Banval. O dinheiro, segundo ele, foi usado por Najun Turner para aplicações em ouro na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BMF), retornou à Natimar e depois foi distribuído em 139 transferências bancárias. Entre os beneficiários desses recursos, estão a mulher e o filho de Turner, pessoas ligadas ao deputado José Janene (PP) e empresas que produzem eventos para campanhas eleitorais, como showmícios. O deputado Gustavo Fruet, no entanto, vai defender que a acareação seja realizada na Polícia Federal, com as portas fechadas.

O presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), informou ontem que a acareação entre o líder do PL, deputado Sandro Mabel (GO), e a deputada Professora Raquel Teixeira (PSDB-GO) não produziu provas. Segundo Izar, a reunião não é produtiva se nenhum dos dois deputados cair em contradição. O líder do PL foi acusado de ter oferecido a Raquel Teixeira R$ 1 milhão "em levas" e mais R$ 30 mil por mês para que ele mudasse de partido. Como álibi para contestar a denúncia da deputada, Mabel afirmou que Raquel compareceu a um jantar de comemoração à sua posse na liderança do PL, que teria ocorrido após a suposta oferta.