A possível entrada em operação de Angra 3, em 2013, dará mais fôlego à expansão do setor elétrico brasileiro, mas não afasta o risco de racionamento no curto prazo. Segundo cálculos de especialistas e entidades do setor, o sistema elétrico começará a dar sinais de vulnerabilidade em 2009. "A partir daí passaremos a depender das chuvas, do humor de Evo Morales (presidente da Bolívia) e do grau de crescimento do País", afirma o diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), Adriano Pires.

Segundo ele, se tudo isso ajudar não teremos restrições em 2009, 2010 e 2011. "A construção de Angra 3 não mexe em nada nesse período, apenas dá às empresas eletrointensivas a sinalização de que haverá energia no longo prazo. Portanto, permite o planejamento de novos investimentos no País", diz o executivo, referindo-se à reclamação do presidente da Companhia Vale do Rio Doce, Roger Agnelli, sobre as incertezas de expansão no setor.

O presidente do Instituto Acende Brasil, Claudio Sales, argumenta que para evitar um racionamento o governo terá de assegurar que não haja atraso no cronograma de entrada de operação das usinas. Fato que não tem ocorrido com as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Segundo Sales, até agora 9 dos 25 empreendimentos previstos no programa estão em atraso.