“Ficou claro que o prefeito acabou seguindo a maioria. Ele quis fazer uma média com os taxistas, e a gente ficou sem a mínima chance de ser beneficiado.” Foi com frustração que o motorista J., de 41 anos, recebeu a notícia da regulamentação dos táxis pretos, que mantém a Uber na clandestinidade.

Formado em Administração de Empresas e pós-graduado em Varejo, ele passou a trabalhar como motorista da empresa há cinco meses, depois de perder o emprego de gerente comercial na empresa em que atuava havia oito anos. “Fui demitido em setembro do ano passado por causa da crise e comecei a tentar uma recolocação na área, mas o salário que ofereciam era muito baixo”, disse ontem ao Estado. A reportagem usou o serviço para ir da região da Avenida Paulista até a zona norte da capital, em um trajeto de cerca de 50 minutos no qual água e balas foram oferecidas como cortesia.

Para J., a regra anunciada ontem pela Prefeitura beneficia majoritariamente profissionais que já atuam como taxistas. “Respeito o trabalho deles, não tenho nada contra os táxis e, graças a Deus, nunca fui hostilizado por eles. Mas, assim como os taxistas são trabalhadores, nós também somos.”

J. diz que ele e alguns colegas com quem conversou não vão nem tentar fazer parte da nova categoria de táxis pretos. “É tudo sorteio. Nem vou atrás de Condutax e das outras exigências. Conseguir essa outorga é algo muito improvável para a gente”, relata.

Apesar da frustração, o motorista diz acreditar que o serviço da Uber será regulamentado em breve pela Prefeitura, como uma categoria diferente dos táxis comuns e dos pretos. “A gente sabe que em todo o mundo foi difícil a Uber entrar, mas não é possível que uma cidade como São Paulo vai ficar para trás nesse ponto e proibir”, diz.

O motorista afirma que, apesar da polêmica, o investimento na Uber tem valido a pena. Trabalhando de 12 a 14 horas por dia, ganha de R$ 9 mil a R$ 10 mil por mês. “Hoje consigo ter um salário semelhante ao que eu tinha na minha antiga empresa. Quando fui demitido, chegaram a me oferecer uma vaga com salário de R$ 3.500, isso com 22 anos de experiência na área comercial. Não quis me submeter a isso”, conta ele.

Pressão

Mesmo com formação e experiência na área comercial, J. diz que só pretende voltar para sua área se a Uber for definitivamente proibida. “Hoje tenho coisas que o antigo emprego não oferecia, como horário flexível, menos pressão. O meu trabalho depende só de mim. O cliente é o nosso fiscal e a orientação que a Uber nos dá é encantá-lo. É o que eu tento fazer em todas as viagens.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.