Luiz Gushiken: “máxima prioridade”.

Brasília e Rio (AG) – A Brasil Telecom (BrT) divulgou ontem sua posição oficial sobre a notícia do jornal “Folha de São Paulo” com o título “Empresa privada espiona o governo”. Segundo a assessoria da BrT, a concessionária “contratou a Kroll, empresa internacional que presta consultoria investigativa com o objetivo de ajudar a esclarecer o superfaturamento decorrente da aquisição da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT), apurar as perdas e outros danos causados pela Telecom Itália”.

A concessionária Brasil Telecom diz ainda que o objetivo da contratação da Kroll foi o de dar “suporte às ações judiciais em curso e por vir. O objetivo é proteger seus acionistas minoritários e recuperar danos causados pela Telecom Italia”. Esses danos, segundo a BrT, chegariam a US$ 1 bilhão. Telecom Italia e Opportunity travam uma batalha pelo controle da BrT.

Segundo a “Folha”, as mensagens e as contas de funcionários do primeiro escalão do governo Lula foram espionadas.

O jornal paulista afirma que “a investigação foi encomendada por Carla Cico, presidente da Brasil Telecom, companhia controlada pelo banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity”. “A espionagem, porém, acabou extrapolando o mundo empresarial e atingiu o governo petista, administrações municipais controladas pelo PT e outras empresas fora do setor de teles”, diz a reportagem da “Folha”, assinada pelo jornalista Marcio Aith.

“Em sua investigação, a Kroll obteve e-mails antigos do ministro Luiz Gushiken (Comunicação) e o elegeu, em 2004, como alvo de “máxima prioridade”. Nesses e-mails, anteriores à posse do governo Lula, Gushiken troca informações com Luiz Roberto Demarco, ex-sócio de Daniel Dantas no Opportunity, com o qual trava hoje uma batalha judicial. Num desses e-mails, de 2001, Gushiken discutiu com Demarco sobre oportunidades de negócios na área de previdência on-line. Em outro, de 2000, ofereceu a Demarco ajuda na obtenção de aliados dentro da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) que o ajudassem na disputa contra Dantas. Gushiken confirma a existência dessas duas mensagens, mas nega qualquer irregularidade. Descreve a atuação da Kroll como ilegal e sórdida”, diz a reportagem.

Ainda segundo a “Folha”, a Kroll obteve dados pessoais e “monitorou encontro secreto, em Portugal, do presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb, com executivos da Telecom Italia – companhia da qual fora conselheiro em 2000”. A reportagem diz ainda que “contas pessoais de Casseb também foram listadas”.

Ações

As ações da operadora de telefonia Brasil Telecom, que atua em nove Estados do centro-sul do país e o Distrito Federal, e da Brasil Telecom Participações caíram ontem na Bovespa após o mercado tomar conhecimento de que a empresa promoveu uma suposta espionagem envolvendo o alto escalão do governo.

No fim da manhã, as ações da operadora caíam 5,06%, para R$ 11,25 e os papéis da Brasil Telecom Participações cediam 5,65%, para R$ 18,35.

Governo diz que vai à Justiça

Brasília ( AG) – A assessoria do ministro de Comunicação e Gestão Estratégica, Luiz Gushiken, divulgou ontem uma nota à imprensa sobre a suposta espionagem da Br Telecom. Na nota, Gushiken diz que considera ilegais os procedimentos de espionagem noticiados e que vai tomar as medidas jurídicas adequadas para esse “flagrante desrespeito constitucional”.

Segundo ele, o assunto está sento acompanhado pela Polícia Federal e pelo Ministério da Justiça. Eis a íntegra da nota:

“Em relação à matéria publicada hoje (ontem) pela “Folha de S. Paulo”, o ministro Luiz Gushiken informa que:

a) Considera ilegais os procedimentos de espionagem noticiados e irá adotar as medidas jurídicas pertinentes a essa ocorrência de flagrante desrespeito constitucional;

b) No âmbito do governo, o assunto vem sendo acompanhado pela Polícia Federal e pelo Ministério da Justiça;

c) Considera legítimo que os fundos de pensão das empresas públicas possam lutar para exercer, plenamente, seus direitos de controle sobre os recursos por eles administrados.”