Brasília (AE) – O Conselho de Ética da Câmara amanheceu ontem de ressaca depois da absolvição dos deputados Roberto Brant (PFL-MG) e Professor Luizinho (PT-SP) pelo plenário na noite de quarta-feira. Frustrados e desanimados, conselheiros estão questionando a validade do colegiado. Nas últimas três votações, o plenário não seguiu a recomendação do órgão técnico e absolveu os deputados acusados de uso de caixa 2 e envolvimento no esquema de mensalão. Dois deputados anunciaram ontem que deixarão o Conselho: Colbert Martins (PPS-BA) e Edmar Moreira (PFL-MG), relator do processo de cassação do deputado José Mentor (PT-SP).

A reclamação geral é que os deputados no plenário votam contra o parecer do conselho sem sequer ler o processo. ?O conselho tem uma linha de investigação que o plenário tem ignorado. Ele deixou de ser um órgão útil na investigação. O conselho, desautorizado seguidas vezes pelo plenário, deixou de ter função?, afirmou Colbert Martins. A frustração dos deputados ficou evidente hoje. Muitos lembraram que durante a sessão de julgamento de Brant deputados no plenário ignoravam e nem ouviram a leitura do parecer do relator, Nelson Trad (PMDB-MS).

O deputado Chico Alencar afirmou que há um processo de cassação do conselho. ?A atitude mais coerente dos deputados que estão ?rotinizando? e rejeitando as indicações do conselho, que pode acontecer, mas como exceção e não como regra, seria pedir a extinção do conselho e remeter tudo para a CCJ. A gente se sente muito desrespeitado?, afirmou.

O presidente do colegiado, Ricardo Izar (PTB-SP), protestou.  ?Nós estamos de ressaca. Estamos frustrados. Nós que acompanhamos o processo. 80% dos deputados que estavam no plenário não conheciam o processo. Eles não votaram na causa, votaram na amizade.?

Há uma avaliação no conselho de que os deputados na votação secreta do plenário têm adotado o critério da amizade e do relacionamento pessoal que mantêm com o acusado, além de um acordão de reciprocidade para livrar os acusados.