O relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) disse que o presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo (MG) não será protegido, caso as investigações comprovem as denúncias de envolvimento dele com o empresário Marcos Valério de Souza nas eleições de 1998.

Na ocasião, Valério teria realizado repasses para políticos ligados à coligação de Azeredo, então candidato ao governo de Minas Gerais.

"Eu não estava protegendo o Azeredo", disse Serraglio, em referência à ausência do presidente do PSDB da lista de 18 parlamentares citados no relatório parcial das CPIs dos Correios e do mensalão. "Fiz um ponto de corte. O que eventualmente a CPI vier a ter sobre a participação do senador Eduardo Azeredo no esquema de Marcos Valério, poderá ser citado em um outro relatório parcial", admitiu.

Segundo o relator, foi o próprio Valério quem informou que teria atuado na campanha de Azeredo. "Não se pode perder o foco num momento em que a CPI está sendo criticada principalmente por conta disso", disse.

O empresário Marcos Valério afirmou em depoimento na CPI da Compra de Votos que considera similares as operações de financiamento de campanhas eleitorais nas quais esteve envolvido em 1998 e em 2004.

Na primeira, admitiu ter repassado recursos por meio de caixa 2 para o então candidato do PSDB ao governo de Minas Gerais, Eduardo Azeredo. Quanto à segunda, ele disse ter atuado em conjunto com o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares. Marcos Valério entregou à CPI a lista das pessoas que receberam recursos durante a campanha de 1998. De acordo com o empresário, a mesma lista foi entregue hoje à Procuradoria Geral da República.