Mais do que a negativa dos dirigentes japoneses em liberá-lo do Kashima Antlers, um compromisso ético com o técnico do Japão, Zico, é o que separa Paulo Autuori do Corinthians. O treinador, inclusive, tentou não dar pistas sobre sua vontade de comandar o Corinthians, mas na segunda-feira à noite admitiu não temer ser hostilizado pela torcida corintiana por ter saído do Brasil após uma passagem vitoriosa pelo São Paulo.

Autuori manteve seu discurso de que por pregar a ética no futebol não poderia simplesmente "rasgar" o contrato de um ano – com opção de renovação por mais um – assinado com o Kashima Antlers no final de 2005. Mas contou já ter procurado a diretoria do time japonês para conversar sobre o assunto.

"Ao surgir esse comentário de que eu estaria indo para o Corinthians procurei os dirigentes e perguntei se havia algo. Eles disseram não saber de nada", afirmou Autuori, por telefone. "Então, como ninguém do Corinthians me procurou e acho difícil ser liberado pelo clube, acredito que nada mudará." Apesar de mostrar-se cético quanto a sua liberação pelo Kashima Antlers, Autuori deixou claro que se o clube aceitar a proposta corintiana não terá receio em aceitar retornar ao Brasil. "Até porque, se os japoneses me liberarem é sinal de que estão mais interessados no dinheiro", ressaltou.

E quem poderá decidir a questão a favor do Corinthians é Zico, que com seu prestígio no clube japonês indicou Autuori para comandá-lo, logo após a trajetória vitoriosa no São Paulo. No Brasil, o Corinthians vem negociando com Antônio Simões que, além de representar o Kashima Antlers, é advogado particular do técnico do Japão e cuida também dos assuntos jurídicos de seu clube no Rio, o CFZ.

Essa estreita relação com Zico foi o que impediu Autuori de se mobilizar para sair do Kashima Antlers, onde em quatro jogos conquistou duas vitórias, um empate e uma derrota. Ao ser questionado se o temor em ser hostilizado no Corinthians pelos títulos de tricampeão da Copa Libertadores e do Mundial de Clubes da Fifa pelo São Paulo, seria outro empecilho para seu retorno, o técnico foi claro ao frisar não ser este um obstáculo

"Não vou falar sobre hipóteses. Mas, quem está envolvido no futebol brasileiro sabe que o torcedor age com emoção. E se for me preocupar com ele não vou trabalhar", destacou Autuori. "A pressão é algo que não me preocupa. Estou acostumado. Só a minha consciência me incomoda e não agirei contra ela."