Pesquisas psicológicas sobre o pai são relativamente recentes, uma vez que ele era considerado o “segundo” adulto da relação parental. Estudos revelam que,  nas últimas décadas, o envolvimento paternal teve um aumento significativo; os pais  praticamente triplicaram o tempo que passam com seus filhos.

Muito além de provedores, pais atuais estão envolvidos em cada aspecto da parentalidade, desde atividades de lazer, até a educação moral, práticas disciplinares e apoio para a vida.

Assim, a noção de paternidade tem sofrido uma evolução constante e termos antigos como “provedor distante” ou mesmo “modelo masculino” tem caído em desuso no meio científico. Atualmente considera-se uma igual coparentalidade entre o pai e a mãe ou outro modelo familiar como aquele em que os filhos tem dois pais.

Pesquisas mostram que crianças cujo pai tem alto envolvimento em suas vidas tem melhor desempenho em diferentes domínios (cognitivo, social e emocional) ao longo da vida quando comparadas com aquelas que tem pai sem um papel ativo.

Ressalte-se que independe da genética, pais por adoção apresentam os mesmos parâmetros. Bebês que tem um pai mais responsivo (que atende seus choros) desenvolvem melhor apego seguro e, no futuro, são mais sociáveis.

Até as brincadeiras mais físicas e bruscas do pai tem um papel importante, pois crianças aprendem a regular suas emoções e seu comportamento. Há pesquisas que mostram que crianças que tem ótimo relacionamento com o pai tem menor probabilidade de depressão, e de comportamentos antissocial.

Um estudo americano recente fez uma sofisticada análise de 50 anos de estudos sobre o pai e chegou a conclusão que a rejeição do pai parece ter um papel ainda mais forte do que a da mãe e está correlacionada com desajuste emocional, uso de drogas e delinquência.

É importante ressaltar que o que o fator de risco é a rejeição ou o não-envolvimento de um pai que deveria estar envolvido. É diferente ter um pai falecido ou uma mãe solteira e não tem o mesmo significado.

Uma outra questão já abordada por pensadores e poetas, além de pesquisadores, é a relação existente entre o pai e a mãe: o pai influencia enormemente seus filhos por meio da qualidade do seu relacionamento com a mãe deles.

Pesquisas apontam que um pai com ótimo relacionamento romântico com a esposa tem maior chance de estar envolvido na vida dos filhos e estes, por sua vez, apresentam melhor saúde psicológica e emocional.

Um pai separado da mãe dos seus filhos tem menor probabilidade de envolvimento com os filhos, mas é possível participar completamente mesmo morando separado. É preciso conscientização maior de que não existe divórcio de filhos.

Ainda estamos em um momento longo de transição para um pai completamente envolvido com seus filhos, em especial em países machistas como o nosso.

A forma como um homem vai encarar seu papel de pai também está relacionado com a educação recebida pela sua família, do próprio modelo que teve com o seu pai e da própria atitude da mãe dos seus filhos que, por vezes, imbuída tão profundamente em  seu papel  parental quer ficar com ele somente para si e acha que o pai “não faz direito” ou “não sabe nem trocar fraldas”.

Devemos sempre ficar atentos à maneira como educamos os filhos homens na questão da igualdade de gênero. O momento atual exige um pai presente e completo e, maravilha, ele está em franca expansão.

Desde cheirar a cabecinha daquele bebê que agarra o seu dedo, trocar fraldas, ensinar o quebra-cabeça, ajudar na lição da escola, participar das festinhas escolares, conversar com o namoro e apoiar a escolhas e decisões da vida. Os homens, como as mulheres,  estão, aos poucos, entendendo a graça e o fascínio de cuidar, educar, socializar e preparar um filho para a vida.

 

 

 

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  • Lidia Dobrianskyj Weber é psicóloga, com pós-doutorado em Desenvolvimento Familiar pela UnB, professora da UFPR, autora de 13 livros, entre eles “Eduque com Carinho” (Ed. Juruá, 16ª tiragem)