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Retratos de Chico

  • Por Estadão Conteúdo

Enquanto ainda estava no processo de pesquisa sobre a trajetória de Chico Buarque, o designer e jornalista Augusto Lins Soares se deu conta que existiam, na verdade, vários Chicos: o pai, o filho, o marido, o parceiro, o amigo, o politizado, o intelectual, o que gosta de futebol, de literatura, de teatro, de música, de desenhar. O perfil multifacetado do cantor e compositor enriqueceu a narrativa criada por Augusto para seu livro, Revela-Te, Chico – Uma Fotobiografia, lançado pela Bem-Te-Vi Produções Literárias (240 págs.; R$ 145).

Augusto Lins Soares, que assina o projeto como organizador, se dedicou ao livro durante quase dois anos e mergulhou nos mais diversos acervos, nos quais teve acesso a 20 mil imagens de Chico. Selecionou 210 fotografias, de autoria de mais de 50 profissionais, para Revela-Te, Chico, entre imagens icônicas, raras e inéditas. O material iconográfico é farto, premissa essencial para uma boa fotobiografia.

Os textos que acompanham as imagens, como legendas históricas que as contextualizam, são do jornalista e escritor Joaquim Ferreira dos Santos. Augusto passou a ele as informações que tinha levantado em suas pesquisas e também nas eventuais consultas que fez a Mario Canivello, assessor de Chico há 31 anos, e Joaquim arrematou algumas histórias por trás das fotos acionando suas próprias fontes.

Por não se tratar de um projeto de Chico, o compositor não participou dele, afirma Augusto, mas gostou da ideia e liberou a licença de uso de imagem. “No fim de 2016, eu estava querendo me dedicar mais ao mercado editorial de livros, já que eu vinha de revista. Estou no mercado editorial há 25 anos”, conta Augusto. “Quando saí da Casa Vogue, que foi a última revista que eu fiz, comecei a pensar em projetos na área de livros, mas queria numa área que fosse menos explorada, e vi que fotobiografia aqui no Brasil era esse caso. Passei a pensar em nomes que pudessem render material iconográfico grande, e de imediato lembrei de Chico, porque precisaria ser alguém com quem eu tivesse empatia, admirasse, que eu conhecesse um pouco da história.”

Desde o início, Augusto pensou numa estrutura de narrativa que acabou, de fato, dando corpo ao livro. Começa com uma série de retratos de Chico, desde a juventude até tempos mais recentes; segue então para a seção que acompanha vida e carreira do artista de forma cronológica, e finaliza o livro com obras feitas por 22 artistas, em que eles lançam seu olhar sobre o biografado. Essa última parte é aberta por um retrato, de 1972 – que só os mais próximos do compositor conheciam – que o pintor Di Cavalcanti fez de Chico.

Há outros achados no projeto. Como a foto inédita que estava em meio ao ensaio da capa icônica da revista Realidade, que mostrava os então novos artistas da MPB. “A imagem publicada no livro é uma sobra desse ensaio. A foto que foi publicada na época é outra. Tive acesso ao ensaio inteiro que o David Drew fez. A Elis rindo o tempo todo, o Gil também. O Chico era o mais bem-comportado. Dizem que ele é brincalhão, mas, nessa foto, estava mais na dele.” Na página ao lado, está um registro já conhecido de Chico ao lado da irmã Miúcha e de João Gilberto. Mas Augusto conseguiu uma informação importante relacionada a esse momento. “Conversei com Miúcha algumas vezes por telefone, porque ela tinha uma memória muito boa para esse tipo de coisa. Ela me revelou que estava grávida da Bebel Gilberto quando foi feita essa foto.”

Augusto também garimpou uma foto inédita de Chico embarcando com a equipe da peça Morte e Vida Severina, em 1966, rumo à Europa. “Chico musicou a peça. Por ele não ter feito parte do elenco, não tinha imagem dele com o pessoal da peça”, conta. “Lendo a história da peça, quando ela viajou para a França, um dos músicos não pôde ir e Chico se ofereceu para ir e foi seu substituto. Conversando com Hiroto (Yoshioca), que fez as fotos da peça, ele disse que tinha fotos que nunca foram publicadas dele embarcando no Galeão.” Ele comemora ainda o fato de ter conseguido incluir fotos mais “quentes”, da recente turnê Caravanas e de Chico flagrado pelo fotógrafo Bruno Kaiuca no meio da multidão, na Cinelândia, em 2018, durante protesto após o assassinato de Marielle Franco. “Achei importante que a gente mostrasse essas várias facetas de Chico”, diz. “Desde o início do livro, a gente vai sempre pontuando os vários Chicos que a gente conhece. Cada um tem o seu.”

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