Ostentando terno e gravata impecáveis, os irreverentes Caju & Castanha (agora Cajuzinho, sobrinho de Caju, falecido em 2001) se propõem a “dar uma aula” de embolada a todos os brasileiros em Professor de Embolada, que acaba de ser lançado pela Trama.

O disco resgata o autêntico “coco de praça”, tipo de embolada feito para divertir a platéia. Caju e Castanha cantam como se estivessem novamente na rua, acompanhados apenas do pandeiro e de eventuais intervenções de ganzá e zabumba. O repertório traz composições próprias e de outros cantadores que faziam sucesso no início da carreira da dupla, nos anos 70, no Mercado São José ou na Praça da Independência, centro de Recife, além de cinco faixas inéditas.

Lavadeira do Rio, de Lenine e Bráulio Tavares (gravada pelo próprio Lenine e por Elba Ramalho), vira um autêntico coco de praça. Em seguida vêm quatro emboladas clássicas sobre extremos, de autoria dos mestres Pinto & Rouxinol – O Ladrão Besta e o Sabido, A Mulher Feia e a Mulher Bonita, O Pobre e o Rico e O Crente e o Cachaceiro.

A dupla também presta uma reverência a outro mestre, hoje esquecido, Manezinho Araújo, com a regravação da fundamental O Carrité do Coroné. Sucesso dos anos 50, a embolada versava sobre a introdução dos caminhões nos engenhos de cana-de-açúcar. Caju e Castanha prestam homenagem também a Téo Azevedo, outro gênio do estilo, com o calango inédito Diferenciando.

Não poderiam faltar os “duelos futebolísticos” – Corinthians x Santos e Santa Cruz x Sport, o primeiro da dupla Sonhador & Peneira e o segundo de Caju & Castanha. Ainda com a temática do esporte bretão, Futebol do Inferno, do falecido José Soares, mistura futebol e religião, e é um dos momentos mais engraçados do CD. Segue-se a autobiográfica História e Glória, que refaz a trajetória da dupla desde o Mercado de São José. Para terminar, uma composição sobre a paixão nacional, O Poder Que a Bunda Tem, em que transborda a irreverência e a “safadeza” do brasileiro. Enfim, Professor de Embolada é uma aula de cultura popular nordestina.