Dá para conceber o bom e velho Ivo Rodrigues, vocalista do Blindagem, no papel de Maria, Mãe de Deus? Rogai por nós, pecadores, e principalmente pelos alucinados Nelson Padrella (roteiro) e Emerson Schmidlin (direção), os responsáveis pela heresia em forma de curta metragem Pegando Jesus para Cristo, que será lançado amanhã, em sessão única às 21h, na Cinemateca de Curitiba, com entrada franca.

A exótica Maria “vive pobremente e precisa ser forte para enfrentar as vicissitudes da vida”, conforme define o jornalista e artista plástico Padrel-la. Ela vive o seu calvário ao lado dos filhos Jesus (o artista plástico Antar Mikosz), Sarah (o apresentador no Na Balada Neto de Paula), Thiago e Judas (os estudantes Gláucio Araújo e Kleiton Festa).

“A história não segue um ritmo normal, com começo, meio e fim, mas vai sendo mostrada em seqüências que, para o espectador desavisado podem parecer desconexas”, avisa o diretor Emerson Schmidlin, que decreta: “É justamente aí que se insere o anarquismo do novo cinema que surge no Paraná”.

Ele esclarece: “Não buscamos propositadamente realizar um trabalho anárquico. A idéia se resumia em abrir a heresia, com uma visão punk, mas sem a preocupação de derrubar valores estabelecidos, levantar a bandeira do anticristianismo ou outras bobagens. Quisemos realizar um filme que tivesse a nossa cara. Os valores sacros do cristianismo entraram de gaiatos”. O enredo se desenvolve aos pulos, fragmentado na forma de falsos esquetes cômicos (sem piada). “Não quis fazer um cinema fácil”, explica o diretor.

A única atriz “de verdade” da produção é Renata Sayuri, que já trabalhou no SBT e na Band. Ela faz uma personagem que liga dois mundos, a favela onde vive a Sagrada Família e a casa, onde a história é vista pela televisão. “As duas realidades se interpenetram na cena final, ao gosto de Matrix, que está fazendo a cabeça da garotada”, diz Padrella.

João Gordo

Como a história estava uma “zona” (no bom sentido), Schmidlin e Padrella arriscaram convidar outro alucinado, João Gordo, o vocalista dos Ratos de Porão, para compor uma trilha sonora original. Não é que o cara aceitou? Ele não só assina as músicas de Pegando Jesus para Cristo, como queria atuar no curta.

A dupla prepara mais dois filmes polêmicos, um sobre pedofilia e outro sobre política. “Ambos serão rodados ainda este ano”, promete Schmidlin.

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Apoio do Studio Majestic Bar (Rua Bispo Dom José, 2.753), que estará com as portas abertas depois das 22h, para quem tiver visto o filme na Cinemateca.