Em cena: Denise usa o sistema gregoriano
para sondar a natureza humana.

Às vésperas do Festival de Teatro de Curitiba, Denise Stoklos encena Calendário da Pedra em Irati, onde hoje comemora o primeiro aniversário da Fundação Denise Stoklos, e em Curitiba, cidade que lhe deu régua e compasso para palmilhar os palcos do mundo.

A atriz iratiense está com seu repertório em itinerância, incluindo Mary Stuart e Casa, enquanto prepara a versão inglesa de Calendário da Pedra para estrear no La Mamma, em Nova York, no mês de junho (de 11 a 29). Denise Stoklos escolheu Calendário da Pedra para também abrir um seminário de teatro político, evento anual do Instituto Hemisférico, dia 12 de julho, na Universidade de Nova York.

Calendário da Pedra data de julho de 2001, mas Denise Stoklos o considera pronto agora, depois de muita interação com a platéia. Livro de Aniversário, poema de seis páginas de Gertrude Stein, serve de ponto de partida para a atriz exercitar seu espírito clown.

Em tom de comédia, Calendário da Pedra insere-se no calendário gregoriano como moldura do dia-a-dia de uma pessoa, de 1.º de janeiro a 31 de dezembro de um ano qualquer. Mas o que se pretende é despertar a memória de toda uma mitologia, melhor reconhecida quando sonhamos. Segundo Denise, é possível ver o espetáculo apenas pelo seu lado cômico ou pela leitura do sistema de camadas que compõem o inconsciente coletivo, esquecido no nosso cotidiano.

Denise Stoklos conta que levou seis anos namorando Livro de Aniversário, mas percebendo a impossibilidade de teatralizar uma literatura tão sofisticada e pura, resolveu colocar suas próprias falas – biográficas ou não – no sistema adotado pela poeta, ou seja, o cronológico. Ela está no palco, essencial, mas uma voz feminina surge de um outro tempo para evocar a memória.

Outras mentes femininas estão no espetáculo: a atriz Carolina Ferraz e Maria Toscano, que assinam o figurino, a filha Thaís Stoklos Kignel, responsável pela cenografia e fotos de cena, e Antônia Ratto, assistente de direção. Somam-se a elas a pedra, “ser permanente mas mutável, através do qual conhecemos muito da história da humanidade”, reporta Denise Stoklos, lembrando que Stein também é pedra em muitos idiomas.

A atriz estava ontem em Irati, onde há um ano era lançada a pedra fundamental da Fundação Denise Stoklos, proposta pela Unicentro. E hoje já é possível comemorar sua existência jurídica. A instituição é voltada para a cultura, saúde, educação, ciência e tecnologia. “Minha idéia – adianta a atriz – é trazer recursos de Nova York para desenvolver projetos na área de teatro, que é onde tenho domínio, como um festival de espetáculos solos”. E quanto a sua ausência no Festival de Teatro de Curitiba, ela diz com muita sinceridade: “Já fui convidada diversas vezes. É hora de chamar outras pessoas”. E aproveita para alertar o público de um bom trabalho que estará no Fringe, com sua aluna Silvana Abreu. “É um espetáculo sobre as bases do Teatro Essencial usando Clarice Lispector em O Livro de G.H.”, avisa.

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Apresentações no Teatro Denise Stoklos, em Irati, amanhã (para o público), às 20h. Em Curitiba, no Guairão, na sexta e no sábado, às 21h, e no domingo às 18h, com ingressos a 30, 15 e 10 reais.