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Quando jovem, Grafite, filho do também músico Lápis, chegou a trabalhar na redação de O Estado.

Pela primeira vez um músico brasileiro vai se apresentar no auditório do Parlamento Europeu, em Bruxelas, na Bélgica. O privilégio é de Alexandre Carlos Rodrigues Ferreira, mais conhecido no Paraná como Grafite. Ele vai representar a América do Sul no Congresso Internacional de I?eau, hoje, que terá como tema principal os gastos desmedidos com a água. Grafite trabalhou em O Estado do Paraná na década de 80 no cargo de office-boy. Ele é chamado assim porque é filho de Lápis, outro músico e compositor paranaense.

?Estou orgulhoso, pois é um evento muito importante, contará com a presença de diversas autoridades do mundo todo. E eu, que adoro trabalhar, não poderia ficar mais feliz?, comentou Grafite, em entrevista exclusiva para O Estado. Além dele, outros dois músicos, Ben Nodji, representando a África, e Juliette Kapla, representando a França, também vão se apresentar no Parlamento. Grafite vai tocar a música Senhora Água, cuja letra é enfática: ?se ela faltar não haverá mais vida na terra. Quero ver o meu filho crescer, contente?. O músico mora há 15 anos na Europa. A música foi composta a partir da idéia da ecologista Cremildes Ferreira, a tia Mide, como Grafite a chama. ?Cresci com a tia Mide, foi ela quem me ensinou a ter amor pelo folclore paranaense?, lembra. Mide faz parte do grupo folclórico Gralha Azul. O show no parlamento também contará com o baterista Walter das Neves (irmão de Wilson das Neves, baterista carioca renomado). Grafite também se mostra muito preocupado com a questão da água.

Projetos

Para 2007, Grafite tem muitos projetos, embora ele reclame da burocracia do governo brasileiro para finalizar autorizações. Por conta desse problema, ele não sabe nem exatamente quando virá a Curitiba novamente, mas um show no Museu Oscar Niemeyer está nos seus planos para o mês de junho. Ele também pretende realizar uma turnê que inclui as cidades de Brasília e Rio de Janeiro, mas em outubro. ?Tudo depende do CD que estamos concluindo, disse um pouco desanimado, mas com muita esperança. O CD Ímpar, cuja produção é de Grafite, conta com sete músicas de sua autoria e outras de Gabriela Leitão, cantora portuguesa. O CD deverá ser lançado entre agosto e outubro desse ano em três países: Portugal, Bélgica e Brasil.

Outros projetos

?Se ela faltar não haverá mais vida na terra. Quero ver o meu filho crescer, contente?, diz a música de Grafite sobre a água.

Um dos projetos que é a ?menina dos olhos? de Grafite é da construção da Casa do Fandango no Paraná, um dos maiores objetivos do grupo folclórico Meu Paraná, fundado há 20 anos pela ?tia Mide?. O projeto recebeu o apoio do governo federal, por meio do Ministro da Cultura, Gilberto Gil.

Outro projeto que já está aprovado e finalizado é o do CD intitulado Deus, Você e Eu. Porém, ele explicou (mais uma vez lamentando a burocracia brasileira) que não há previsão de lançamento do CD, que traz músicas inéditas do artista. Além disso, Grafite tem várias participações em trabalhos de outros artistas, como no CD francês O Mundo em Cena, que traz músicas de vários cantores, entre elas três de Grafite.

A história de Grafite

De família de músicos, Grafite é filho do compositor paranaense Lápis. Desde muito pequeno, Grafite já apreciava música. Ele até pensou em fazer faculdades de Jornalismo ou Direito, mas desistiu, pois viu que o seu negócio era a arte mesmo. ?Com dez anos eu fiz minha primeira música: Eu Vou Sair Dessa Cidade?, conta. E é verdade. Grafite não pensa mais em voltar para o Brasil. ?Temos muitas oportunidades por aqui?, finaliza ele, dizendo que a Europa é um ótimo local para os artistas.