Salvador Dali foi pintor,
cozinheiro e escultor.

“A única diferença entre um louco e eu é que eu não estou louco”. Com essa frase, Salvador Dalí resume um ponto essencial e para muitos incômodo: seu exacerbado exibicionismo, parte inseparável de sua arte. As referências permanentes ao personagem exótico e bufão – sua vontade de chocar e seu desejo de ser insuperável na excentricidade – são inevitáveis, mas comprometem em alguns momentos uma compreensão menos passional de sua produção artística. Nascido há exatos 100 anos na cidade catalã de Figueres, Dalí tem agora, com a celebração do centenário, a possibilidade de ter sua obra revista de maneira mais íntegra.

Uma série de eventos ao longo do ano tem procurado relembrar a data, com exposições, lançamentos de livro, ciclos de debate, etc. Evidentemente o foco das comemorações é a Espanha, seu país natal. É lá que ocorre no momento uma das mais importantes mostras temporárias do centenário, Dali, Cultura de Massas, que reúne na Fundação La Caixa, de Barcelona, cerca de 300 obras. São pinturas, desenhos, filmes e objetos, como a célebre Lagosta-Telefone, nas quais propõe releituras da era industrial. Depois de Barcelona, a exposição segue para Madri, Flórida e Roterdã.

Outros eventos em torno do artista já foram realizados este ano, como uma pequena mostra de oito telas na sede central da Smithsonian Institution, em Washington – encerrada no último dia 20 -, mas a grande expectativa do ano é a exposição antológica Dalí, a ser inaugurada em 12 de setembro no Palazzo Grassi, de Veneza. A proposta é mostrar, por meio de 150 óleos, todas as facetas criativas que Dalí cultivou ao longo de sua vida. “Se o surrealismo é um capítulo importante, outras contribuições aparentemente menores não são esquecidas, principalmente a contribuição pioneira de Dalí para a vanguarda européia, o período do pré-guerra – menos conhecido – ou ainda questões que o fascinavam, para além da arte: psicanálise, mitologia, história, ciências, ótica, teorias gestálticas, etc”, afirma a curadoria (de Dawn Ades e Montse Aguer) no catálogo oficial das comemorações.