Capela de Antônio Prado
e cemitério ao lado.

Ao que tudo indica, a origem do bairro Cachoeira, em Almirante Tamandaré-PR, remonta aos 15 de agosto de 1886 quando imigrantes poloneses, alemães, italianos e austríacos chegaram com a intenção de trabalhar na terra. Antônio da Silva Prado foi o incentivador. Prado nasceu em São Paulo (1840) e faleceu no Rio de Janeiro (1929). Sua família era rica, possuidora de fazendas de café, estradas-de-ferro e casas de exportação.

Foi político, exerceu as funções de deputado-geral, senador, ministro da Agricultura no gabinete Cotegipe, cargo que abandonou por estar convencido de que a escravidão não podia ser solucionada por extinção gradual. Segundo a Larousse Cultural (1998), Prado, como outros estadistas do Império, proclamada a República aderiu a ela, sendo eleito deputado para a Constituinte de 1890. Em 1899 havia assumido a direção do governo municipal de São Paulo e ao longo de 13 anos de administração remodelou inteiramente a cidade.

Em 1885, ano em que esteve no Ministério da Agricultura, Antônio Prado, além de ter estimulado o estabelecimento de colônias de imigrantes no Paraná, também impulsionou o surgimento de outras colônias nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Espírito Santo, São Paulo.

Mara Solange Pepplow Purkotte, pedagoga, professora da Escola Municipal Jardim Taiza, declarou: ?Antônio da Silva Prado distribuía litros de sementes que marcavam o terreno de cada família (quantia de sementes com a distância correta de cada cova), ou seja, um litro de terreno?.

Colônia Prado

Foi na Colônia Prado que tudo começou. Os colonos construíram uma capela de madeira. De acordo com a professora Mara Purkotte, foi escolhido Santo Antônio como padroeiro, por ser conhecido em quase toda a Europa e também para homenagear o próprio Antônio da Silva Prado. Em 1930 foi iniciada a construção da atual igreja, concluída em 1933. A capela de Antônio Prado já esteve sob a jurisdição das paróquias de Colombo, Santa Cândida, Abranches. Na atualidade, pertence à paróquia do Barreirinha, Curitiba-PR.

Ao lado da capela existe o cemitério. De acordo com Alci Fonseca Romero, professor de História e diretor da Escola Estadual Rosa Frederica Johnson, residente no bairro há quinze anos, a origem do bairro remete ao século XIX, especificamente na região da colônia Prado, pois existe lá um cemitério com os restos mortais de pessoas que foram sepultadas no final do século XIX.

Para Luiz Romeiro Piva, professor de História e vereador, ?antes, na região em que hoje está localizado o bairro Cachoeira, existiam muitas chácaras, que eram adquiridas por imobiliárias. A Prefeitura autorizava, era implantado o loteamento e se iniciava o processo de venda. Assim é que nasceu o bairro, sua urbanização com estes loteamentos. (…) Já o centro da colonização do bairro, no século XIX, foi na região conhecida como Colônia Antônio Prado?.

Estudantes pesquisam a origem do nome – Não existe clareza sobre a origem do nome do bairro Cachoeira. Os estudantes da 8.ª A, turno matutino da Escola Estadual Rosa Frederica Johnson, pesquisaram o tema no ano passado. Comenta-se que não existia água encanada. As pessoas andavam alguns quilômetros para lavar roupas em rios e cachoeiras. Havia uma cachoeira nas nascentes do Rio Belém. Supõe-se que por homenagem a esta cachoeira foi nomeado o nome do bairro.

Vandressa de Souza, 6.ª A, contatou Wilson Aparecido, 43 anos, residente no bairro desde 1968, que narrou: ?Na vizinhança alguns afirmam que o bairro Cachoeira é Jardim Primavera, Jardim Bonfim ou mesmo Cachoeira?.

Alci Romero ouviu o comentário de que existia na região uma pedreira e com esta havia uma cachoeira, por isto o bairro recebeu este nome. Esta é uma hipótese, entre tantas.

Sobre o bairro Barreirinha e a dificuldade de acesso ao bairro Cachoeira, Romero conta que conheceu dona Antônia que vivia na região desde o final do século XIX. Ela comentava que demorava três dias para chegar na região, para quem vinha de Curitiba num carroção, com roda dura. O local mais difícil de passar era a região hoje conhecida por Barreirinha. Como era muito úmida e cheia de lama, o carroção geralmente atolava, daí o nome Barreirinha.

Jorge Antônio de Queiroz e Silva é pesquisador, historiador, professor. Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná.

queirozhistoria@terra.com.br.