Gisele Miguel faz
monitoria com as crianças.

O Espaço Cultural Frans Krajcberg, mantido pela Fundação Cultural de Curitiba no Jardim Botânico, tem como uma das suas atribuições, além da exposição permanente de uma coleção de 114 obras do artista, a conscientização sobre a necessidade de preservar o meio ambiente. Esse é o objetivo do programa de monitorias realizado com os alunos das escolas públicas e particulares que visitam o espaço.

A monitoria consiste em uma hora e meia de atividades: visita à exposição, exibição de um vídeo sobre Frans Krajcberg e atividades de educação artística relacionadas ao tema. A primeira visão do conjunto das obras já desperta a curiosidade das crianças. Os troncos retorcidos e queimados são inicialmente associados a outros objetos e materiais. ?Pensei que fossem de cimento ou pedra. Só depois percebi que as esculturas eram de madeira?, disse a estudante Jennifer Freitas de Oliveira, 12 anos, da 5.ª série da Escola Municipal Aline Pichetti, cuja turma fez monitoria no Espaço Krajcberg em maio.

Pouco tempo após o início da monitoria, as crianças assimilam noções de estética, arte e meio ambiente. ?É muito interessante constatar como elas aprofundam seus pontos de vista no decorrer das atividades?, diz a monitora Gisele Miguel. Segundo a monitora, a intenção do artista fica mais clara com a exibição de um trecho de 12 minutos do vídeo sobre a vida de Krajcberg, realizado pela cineasta Walter Salles.

O vídeo mostra exatamente como as queimadas estão fazendo desaparecer as florestas em todo o Brasil, do Paraná ao sul da Bahia, onde foram praticamente dizimadas para dar lugar às plantações, e do Pantanal à Floresta Amazônica, onde os seus efeitos continuam sendo devastadores. ?A exposição é muito bonita, mas fiquei triste de ver como as árvores ficam depois das queimadas?, comenta o aluno Marco Aurélio Ferreira da Silva, 11 anos, também da Escola Aline Pichetti. ?Veio uma pessoa de outro país para avisar que a gente estava perdendo as nossas florestas?, observa seu colega Eduardo Amorim, referindo-se ao artista polonês radicado no Brasil.

A monitoria encerra com uma atividade artística, onde as crianças usam alguns dos mesmos materiais utilizados por Krajcberg em sua produção, como areia, carvão moído, amostras de terra de várias cores e texturas. Acompanhados pela professora Indianara Schotka, os alunos vão continuar discutindo o tema em sala de aula. As crianças serão incentivadas a elaborar outros trabalhos e a expor cartazes na escola com a intenção de difundir a conscientização sobre a preservação ambiental para as outras turmas.

?Relacionar arte e meio ambiente é uma proposta que as escolas de ensino fundamental vêm trabalhando recentemente e o Espaço Cultural Frans Krajcberg é perfeito para demonstrar essa interação?, diz a professora. Indianara lembra que esta é uma geração de estudantes atraída pelos recursos audiovisuais, o que faz da visita aos museus um excelente recurso pedagógico. ?Para eles, esse tipo de atividade, em que podem ver e constatar de perto as transformações do ambiente, é muito marcante?, afirma.

O artista

O Espaço Cultural Frans Krajcberg foi inaugurado em outubro de 2003, para abrigar 115 esculturas de grande porte e relevos entalhados em cascas de árvores, além de algumas fotografias, doadas pelo artista ao município.

As obras estão subdivididas em grupos e classificadas conforme as características do material: palmas, árvores para cima, cipós, grandes volumes, mangue, queimadas, bolas, palitos e cascas.

Krajcberg retira da natureza a matéria-prima para as suas criações, sempre no sentido de despertar a indignação contra as ações devastadoras do homem. Os troncos de madeira queimada, retirados diretamente dos locais onde a depredação se fez presente, são os que mais identificam a sua obra, embora a preocupação com o meio ambiente tenha permeado toda a sua trajetória artística.

Frans Krajcberg nasceu em abril de 1921 na cidade de Kozienice, Polônia. Filho de uma família de comerciantes judeus desaparecida em 1945 no holocausto, veio para o Brasil em 1948 e naturalizou-se brasileiro em 1954. Foi ainda na Europa, durante a II Guerra Mundial, que começou a pintar e a se interessar pela arte. Chegando ao Brasil, passou pelo Rio de Janeiro, São Paulo e se fixou no interior do Paraná, o que foi decisivo para os rumos que sua arte tomou a partir de então.

Nesse período, na onda expansionista dos anos 50, Krajcberg constata que, ao seu redor, as árvores começam a ser queimadas para dar lugar a indústrias e à cafeicultura. Em 1972, Krajcberg fixou-se definitivamente em Nova Viçosa, na Bahia. Próximo ao mar, o artista passou a recolher do mangue e da floresta os materiais com que trabalha. Três expedições à Amazônia, em 1976, 1977 e 1978, reforçaram ainda mais suas convicções. Uma exposição em Paris, com obras desse período, foram a porta para o sucesso. Suas obras ganharam o mundo e hoje estão expostas em museus do Rio de Janeiro, São Paulo, Paris, Nova York, Buenos Aires, e em coleções particulares, brasileiras e estrangeiras.

O Espaço Frans Krajcberg de Curitiba é o único local no mundo projetado especialmente para abrigar um conjunto de obras de Krajcberg, em exposição permanente. Este privilégio será compartilhado, em breve, por somente mais duas cidades, Paris e Nova Viçosa.

Serviço:

A escola interessada pode agendar a monitoria pelo telefone 3218-2419. O Espaço também fica aberto para visitação pública diariamente, das 9h às 12h e das 13h às 19h.