O escritor gaúcho Érico Verissimo (1905-1975) gostava de dizer que jamais tivera outra atividade na vida, pois era um homem da pena. Produziu uma obra vasta, diversificada e que não perdeu a atualidade, como comprova agora o relançamento de seus títulos, sob a chancela da Companhia das Letras. Os dois primeiros volumes de O Continente chegam esta semana às livrarias, iniciando a trilogia O Tempo e o Vento, a mais famosa saga da literatura brasileira – são 150 anos da história do Rio Grande do Sul e do Brasil, que o escritor compôs em três partes: além de O Continente, figuram os dois volumes de O Retrato (previstos para novembro) e os três de O Arquipélago (lançamento de dezembro).

“É sem dúvida a maior obra dele e, mais espantoso, é talvez o único exemplo na literatura mundial de um texto que se dobra sobre si mesmo, se olha e se desmistifica enquanto está sendo feito”, comenta o também escritor Luis Fernando Verissimo, filho de Érico. A saga da família gaúcha começou a ser escrita em 1949, quando foi publicado O Continente. Na época, Erico já rascunhava uma história grandiosa do Rio Grande do Sul.

Ao mergulhar no passado, Érico buscou as raízes do presente. “Seja na Porto Alegre onde se sucedem, de romance para romance, grupos de personagens com suas dúvidas, afirmações, sofrimentos, ganhos e perdas, seja na Santa Fé ficcional da trilogia O Tempo e o Vento, o escritor conseguiu fabricar uma visão articulada das passagens da vida brasileira de uma sociedade agrária e tradicional para uma sociedade que se vê face a face com as descobertas e as contradições da modernidade”, afirma Flávio Aguiar, professor de literatura brasileira da USP e responsável pela supervisão editorial do relançamento da obra pela Companhia das Letras.

Além desse cuidado, as novas edições vão trazer uma árvore genealógica da família Terra Cambará, um mapa do Rio Grande, prefácios de pesquisadores e, como curiosidade, desenhos do próprio Érico.