Wes Anderson não abre mão dos elementos que o consagraram como um diretor de grife. Nem poderia. Quando seu nome surge nos créditos de abertura de um filme, a plateia já sabe o que esperar: personagens excêntricos, ambientação surreal, universo estilizado e uma história com um quê de fábula.

“Por mais que as pessoas digam que eu faço exatamente a mesma coisa, a cada novo projeto sinto que estou me reinventando”, diz o diretor, que colocou o seu imaginário cinematográfico a serviço de trama mais substanciosa e sofisticada em O Grande Hotel Budapeste, seu filme mais recente, que após ser apresentado no Festival de Berlim chega nesta quinta-feira, 03, aos cinemas brasileiros.

Ema O Grande Hotel Budapeste, o Wes Anderson narra as aventuras (desventuras?) de Gustave H., o concierge de um majestoso hotel, e de seu fiel escudeiro, o mensageiro Zero Moustafa, num período conturbado na história da Europa, entre as duas guerras mundiais. Há mistério, romance, sexo e assassinato na trama, inspirada ligeiramente na obra do escritor austríaco Stefan Zweig, que atuou nas décadas de 1920 e 1930. “Zweig registrou como ninguém o momento da perda da inocência da Europa”, diz o diretor na entrevista a seguir.

Sobre o suicídio cometido por Stefan Zweig no Brasil, em 1942. Anderson diz que “inicialmente, ao fugir dos nazistas, Zweig seguiu para a França e para a Inglaterra. Mais tarde, foi para os EUA, onde viveu em Nova York. Participou de uma conferência de escritores em Buenos Aires, onde percebeu que se sentia melhor na América do Sul. Foi aí que ele se instalou em Petrópolis, no Rio, numa área de grande beleza natural. Mas não acho que ele tenha ido para o Brasil com a intenção de se matar lá. Queria viver. Ele tinha lutado por isso. Mas em algum momento não teve mais forças para continuar”, disse.

Quanto aos seus filmes serem povoados de personagens excêntricos, Anderson diz que “talvez eles sejam absolutamente normais para mim. O concierge, por exemplo, é inspirado em amigo próximo. Desde muito jovem, ele já tinha opinião formada sobre tudo. Já era intelectualizado, tinha boas maneiras e vivia rodeado de amigos mais velhos. Ele realmente saía com mulheres 25 anos mais velhas, como Gustave H. faz no filme. Esse é o perfil de uma pessoa que considero interessante o suficiente para contar a sua história”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.