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Novela, uma paixão brasileira

  • Por Redação O Estado Do Paraná

Janete Clair tinha razão quando comparava uma boa novela a um novelo de lã. Afinal, quanto melhor for a trama, mais enredado nela fica o público. Não por acaso, as principais emissoras de tevê do País, Globo, SBT, Record, Band e Rede TV!, estão exibindo produções do gênero. Atualmente, estão no ar 14 novelas, entre nacionais e estrangeiras. Isso sem contar algumas reprises… ?Estamos trabalhando duro para chegar ao segundo lugar em audiência e em faturamento. Nesse processo, novela é indispensável, porque é uma autêntica paixão do brasileiro?, explica Dennis Munhoz, presidente da Record.

Quando o assunto é novela, os diretores de tevê são unânimes ao afirmar que o gênero é o único a angariar a simpatia de toda a família e, especialmente, do público feminino.

?Assistir a novelas constitui um hábito valorizado, sobretudo pelo público feminino, por provocar uma ruptura em seu cotidiano atribulado e quase sempre desprovido de outras opções de lazer?, teoriza Maria Tereza Monteiro, diretora da Retrato Consultoria e Marketing. Mesmo assim, alguns autores fazem insuspeito sucesso junto ao público masculino. ?Não preciso de grupo de discussão para saber que minhas novelas atraem os homens. Sei disso pelo jeito como os porteiros me abordam?, diverte-se Carlos Lombardi.

Poderosa

Independentemente do público a que se destinam as novelas, competir com a Globo é sempre tarefa inglória. Por isso, as emissoras procuram horários alternativos para fugir da concorrência direta com quem acumula 40 anos de tradição. Geralmente, o horário do Jornal Nacional é um dos mais cobiçados. A partir do dia 29, a Band estréia seu segundo horário de novelas, justamente às 20h40, com Morangos com Açúcar, produzida pela NBP, de Portugal. ?Quando uma novela cai no gosto do público, temos audiência garantida por, pelo menos, seis meses?, crê Celso Tavares, diretor de programação da Band.

A Band volta a investir em novelas depois de seis anos, quando exibiu Meu Pé de Laranja Lima, de 1998. A Record não fica atrás. A última produção nacional da emissora foi Roda da Vida, de 2001. Depois de exibir alguns enlatados, como Joana, a Virgem e Um Amor de Babá, a emissora vê na parceria com a produtora Casablanca a saída para se ter uma novela nacional com qualidade. A estréia de Metamorphoses, domingo passado, alcançou 11 pontos de média e 17 de pico. ?Sabemos que há um público feminino forte em um horário que oferece sempre as mesmas opções. Só podemos brigar com a concorrência indo na contramão?, analisa Del Rangel, diretor de teledramaturgia da emissora.

Parcerias

A exemplo da Record, a Band também não quer ficar só na exibição de enlatados. Tanto que a parceria com a NBP prevê também a co-produção de novelas. Parceria semelhante já existe entre SBT e a Televisa, do México, desde 2000. A novela Canavial de Paixões alcançou 15 pontos de média no horário do JN. Para David Grimberg, diretor de teledramaturgia do SBT, nenhum outro produto obtém tanta audiência a médio e longo prazos quanto novela. ?Novela marca um encontro diário entre emissora e telespectador para acompanhar o desenrolar da trama. Já programa de auditório, apesar da diversidade de atrações, tem sempre começo, meio e fim?, compara.

Tamanho interesse levou o SBT a inaugurar o seu Vale a Pena Ver de Novo. Atualmente, a emissora reprisa a mexicana Marimar e a brasileira Fascinação, escrita por Walcyr Carrasco, de Chocolate com Pimenta, da Globo. ?É difícil não torcer pelo sucesso das duas. Cada novela é como um filho de quem a gente gosta para a vida toda?, derrama-se Walcyr. Mas não é toda emissora que tem condições de investir na área. As que não podem produzir, limitam-se a exibir enlatados. Como a Rede TV!, que inaugurou recentemente um segundo horário de novelas, às 16h30, com Gata Selvagem. ?Queremos viabilizar a produção de sitcoms, uma dramaturgia mais curta e rápida e menos onerosa que a novela?, avalia Mônica Pimentel, diretora artística da Rede TV!.

Um negócio de alto risco

O alto investimento que requer uma produção de novela quase sempre desencoraja quem sonha em investir no gênero. Cada capítulo de Metamorphoses está orçado em R$ 120 mil, enquanto um da Globo não sai por menos de R$ 200 mil. Já o capítulo de um enlatado gira em torno de R$ 5 mil. Mas há quem não desista de apostar no formato. Antes de assumir o núcleo de teledramaturgia na Record, Del Rangel já trabalhou no SBT e na Band, onde dirigiu novelas como Éramos Seis e Serras Azuis. ?Tenho plena consciência de que tentei melhorar o nível da teledramaturgia por onde passei?, analisa.

Mas até a Globo enfrenta lá os seus percalços. Um deles diz respeito à renovação de autores. A próxima novela das seis, Cabocla, está sendo escrita por Edmara e Edilene Barbosa e supervisionada por Benedito Ruy Barbosa, autor da trama original. Um dos mais experientes da Globo, Sílvio de Abreu assegura que a supervisão é a única solução que existe para o problema da falta de renovação de autores. ?A supervisão é fundamental para dar respaldo a quem está começando. Novela só se aprende fazendo?, teoriza ele, que supervisionou os primeiros capítulos de Da Cor do Pecado, de João Emanuel Carneiro. 

Tão ingrata quanto a tarefa de formar novos autores só mesmo a de escalar elenco. Atualmente, os diretores Wolf Maya e Jayme Monjardim estão penando para selecionar atores para suas próximas novelas, Dinastia e América, escritas por Aguinaldo Silva e Glória Perez, respectivamente.

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