A influência da Escola Superior da Forma de Ulm e da Bauhaus no desenvolvimento do design mundial pode ser atestada por meio de exposições e livros que prestam homenagem a dois mestres da área, o brasileiro Alexandre Wollner, ativo, aos 85 anos, e o alemão Jan Tschichold (1902-1974).

Wollner, que foi aluno da Escola de Ulm (Hochschule für Gestaltung), criada por Max Bill, comemora 60 anos de carreira com uma exposição de novos trabalhos na Galeria Dan e uma retrospectiva com 120 obras suas no Museu de Arte Aplicada (Museum Angewandte Kunst) de Frankfurt (aberta até fevereiro). Além disso, assina o projeto gráfico do livro “Concretos Paralelos: Construtivismo Britânico, Concretismo” e “Neocroncretismo Brasileiro”.

Tschichold, que revolucionou a tipografia moderna e conviveu com os mestres da Bauhaus, é lembrado numa luxuosa edição da Edusp. Conhecido pela identidade visual de bancos, indústrias e instituições culturais do Brasil – Itaú, Ultragaz e MAC – Wollner mostra na Dan Galeria a versão digital de trabalhos extraviados numa exposição em Zurique nos anos 1960, composições com formas triangulares que aumentam e diminuem de tamanho.

São duas séries expostas, “Constelações” e “Formulação”, que recriam digitalmente obras datadas de 1956 em diante. Não por capricho revisionista. Wollner justifica a retomada como uma maneira de explorar novas possibilidades de sobreposição oferecidas pela impressão digital, “coisa que uma aquarela não daria conta”, diz ele. “Não veria nunca a transparência limpa garantida pelo digital”.

Ao contrário de Tschichold, que abjurou o cânone modernista ao se estabelecer na Inglaterra quando fugiu da Alemanha dominada pelos nazistas, retornando à composição clássica que rejeitava, Wollner, pioneiro no design racional, nunca repudiou sua formação concreta. Até hoje, ela é perceptível em trabalhos como a identidade visual da Editora É Realizações, para a qual desenhou recentemente também a coleção do filósofo René Girard, um arrebatador exemplo de concisão.

“Aprendi a coordenar os elementos desta e outras vidas”, sintetiza Wollner. E ele não está falando de vidas passadas, como Shirley McLaine. Refere-se à relações entre conhecimento analógico e digital, duas vidas em uma em se tratando do artista concreto. “Todo mundo olha, mas não vê”, diz, explicando como criou o alfabeto para a identidade visual da marca Eucatex (de forros acústicos e chapas isolantes).

Elementos tipográficos traçavam uma correspondência analógica com o aparelho auditivo, obedecendo à espiral do matemático italiano Fibonacci. O resultado é uma letra que lembra uma orelha humana. Simples, direto. E tremendamente sofisticado.

Wollner diz que sua passagem pela Escola de Ulm foi fundamental para que essa estética racionalista o acompanhasse ao Brasil quando voltou, em 1958, no auge das discussões entre concretos paulistas e cariocas (os últimos lançariam um ano depois o Manifesto Neoconcreto). Em 1963, ele criou a primeira instituição dedicada ao ensino do design no País, a Escola Superior de Desenho Industrial – Esdi.

CONSTELAÇÕES E FORMULAÇÃO – Galeria Dan. R. Estados Unidos, 1.638. 2ª a 6ª, 10h/ 18h; sáb., 10 h às 13 h. Até 18 de janeiro.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.