O ator mirim, que faz
sucesso como o vampiro Zeca.

Kayky Brito é um garoto de 14 anos com jeito de veterano. Com um modo firme de andar e um olhar seguro, ele sempre carrega fotos estrategicamente para autografar e distribuir aos fãs, e se mostra simpático a cada abordagem nas ruas. O intérprete do vampirinho Zeca de O Beijo do Vampiro surpreende pela maturidade e pela visão crítica que já tem do próprio ofício.

“Não adianta o ator dizer que não agüenta mais quando um monte de gente pede autógrafo. Não dá para aparecer em todos os lugares, e depois não querer ser reconhecido”, analisa o adolescente paulistano.

Kayky, no entanto, experimenta não só as glórias de ser um protagonista de novela global, como se submete também aos sacrifícios da profissão. “Tive de pintar o cabelo de preto. Sou louro”, explica o garoto, que ainda passa uma cera para o cabelo ficar duro e espetado.

Apesar da maturidade precoce, Kayky é quase um estreante. Ele fez apenas Chiquititas, antes de ser o escolhido entre 60 meninos para o papel principal de O Beijo do Vampiro. O ator entrou para a novelinha do SBT quando foi morar na Argentina com a mãe Sandra e a irmã, a atriz Stephany Brito, já escalada no elenco de Chiquititas e hoje célebre por ter vivido a inquieta Samira de O Clone.

“Surgiu um teste e passei. Mas não foi nada programado”, assegura o ator, que interpretou o arrogante Fabrício na trama infantil. Contratado por obra pela Globo, Kayky garante não ter como comparar uma produção da emissora à outra do SBT. “Sem querer puxar o saco, mas a Globo é a Globo”, valoriza.

Mesmo cansado com o ritmo intenso de trabalho, Kayky se revela bem-humorado. Ele não esconde que o papel de destaque na Globo o ajuda a virar objeto de desejo das meninas, admite que é um ambicioso e, às vezes, parece ter respostas decoradas. “Não somos nada sem as fãs”, repete. Após a sessão de fotos e da entrevista, o jovem de olhos esverdeados queixa-se de fome e cumprimenta alguns garotos que o observavam atentamente. Kayky prefere não oferecer suas fotos para os meninos e justifica com outro pensamento lógico. “Eles estão mais interessados nas fotos da minha irmã” pondera, levantando levemente a sobrancelha.

P

– Quando estiver mais velho, você não vai se arrepender de estar trabalhando muito agora?

R

– Sei que preciso aproveitar a vida. Não só trabalhar, mas brincar também. Senão, você não vai ter infância. Por isso, quando sobra um tempinho, vou correndo fazer natação, passear pelo shopping, jogar futebol… Mas tenho que me dedicar ao trabalho. Porque é realmente uma responsabilidade estrear na Globo logo como protagonista. Fiz cinco testes antes de ser escolhido. Mas não sabia para qual personagem estava fazendo. Só no final me deram um texto da novela mesmo para decorar. Fiz e gostaram.

P

– Você ficou com medo de não passar nos testes para O Beijo, depois de ter tentado também em A Padroeira?

R

– Realmente não passei no teste final para A Padroeira. Chegaram a escolher eu e mais um garoto, mas nenhum dos dois acabou fazendo a novela. Entraram uns meninos que faziam uma peça de teatro que tinham a ver com a filha do Walter Avancini. Mas não fiquei nervoso por isso, pois já havia passado no teste para Chiquititas.

P

– Como surgiram alguns trejeitos do Zeca, como levantar a sobrancelha, por exemplo?

R

– É tudo meio por acaso. Levantei a sobrancelha uma vez sem ter nada combinado, eles acharam legal e pediram para fazer sempre.

P

– Depois que o Zeca virou vampiro, ficou mais complicado para você interpretar?

R

– Um pouco. Agora, o Zeca fala igual ao Bóris e usa o “tu”. Vou ter de falar de forma diferente e mudar algumas expressões. Ele também vai começar a se vestir com outras roupas, o que acho que vai ser divertido.

P

– Como você se sente ao contracenar com “medalhões” da Globo, como Tarcísio Meira, Luiz Gustavo…

R

– É bom. Todos eles são excelentes. Não dá para apontar o melhor. Há os mais experientes, que estão há mais tempo no ramo. Até hoje, fico meio tenso quando vou contracenar com eles. No início, ficava mais ainda. Com quem converso bastante é o Luiz Gustavo, mas me dou bem com todos.

P

– Você tem facilidade para decorar os textos?

R

– Olha, todas as crianças do elenco têm leitura de texto com a Françoise Fourton. Ela passa o texto, subtextos… nas cenas de emoção, ela ajuda muito. Isso contribui bastante. Não sou daqueles que decora lendo rápido. Não tenho dificuldade. Decoro normal, como a minha irmã.

P

– Você pretende seguir realmente a profissão de ator?

R

– Pretendo continuar neste ramo. Agora não dá, mas depois da novela quero fazer cinema. Também quero ganhar o Oscar um dia. Sei lá. Quero ser igual ao Roberto Naar e Marcos Paulo, que são diretores da Globo. Eu me espelho neles. Outra vontade é fazer faculdade de Cinema.

P

– Você é bastante ambicioso…

R

– Sou, sim. Bastante. Quero alcançar os meus sonhos.

Da garoa ao balneário

Kayky Brito trocou a cidade natal, São Paulo, pelo Rio de Janeiro em 2001. A irmã foi convocada para trabalhar em Um Anjo Caiu do Céu, na Globo, e a família precisou se mudar para a capital fluminense. O ator lembra que, no início, estranhou um pouco o estilo de vida no Rio, mas logo se adaptou. Kayky conseguiu fazer novas amizades no Rio e já acha que dificilmente muda para São Paulo novamente. “São Paulo é uma cidade mais fria e com programas mais noturnos. Já o Rio é mais livre, tem praia e mais coisas para fazer de dia. Gosto das duas cidades, mas acho que para trabalhar na televisão o Rio é melhor”, compara.

Da fase que ficou em Buenos Aires, além do frio, o ator recorda que fez principalmente amizade com o elenco da novelinha infantil do SBT. “O elenco de Chiquititas era como uma família. Só assim a gente agüentava as saudades do Brasil”, relembra.

Mas ele reconhece que a experiência em Chiquititas o está ajudando agora na Globo. “Foi bom porque não cheguei na Globo completamente verde. Isso me ajudou a ganhar o papel do Zeca, com certeza”, acredita.