Juliano Ribeiro Salgado mal pode acreditar. “É louco”, diz ele numa entrevista por telefone ao jornal O Estado de S.Paulo, de Berlim. “No fundo houve todo um processo, desde a exibição de Sal da Terra/ Salth of the Earth em Cannes. O filme foi lançado nos EUA, ganhou prestígio, havia um perfume de Oscar no ar. Mas, agora, a indicação, é uma grande surpresa e uma alegria. A experiência do Tião (seu pai, o grande fotógrafo Sebastião Salgado) é incrível e graças a Hollywood e ao Oscar vamos poder compartilhá-la com muito mais gente.”

Salt of the Earth não é só sobre o fotógrafo. É sobre o defensor do meio ambiente que recuperou uma área devastada no interior do Brasil e a transformou em santuário ecológico. E por meio disso, como de todo o trabalho artístico de Sebastião Salgado, seu filho diretor e Wim Wenders discutem o próprio planeta. Juliano conversa com o repórter da capital alemã, onde vive.

“Vivem para cá para montar o filme, achando que ficaria quatro meses. A montagem durou um ano e meio, o Wim é f… como montador. No processo, eu conheci o amor, uma brasileira incrível, de São Paulo, e agora moro aqui”, ele conta.

Para ele, por causa de seu pai e também por ter sido filmado no Brasil, Salt of the Earth é um filme brasileiro. Na burocracia é francês, e como tal vai concorrer no Oscar de documentário. “Havia uma possibilidade de fazer do filme uma coprodução com o Brasil, mas o processo ia demorar, tivemos de começar a filmar. É uma produção francesa com um aporte italiano muito pequeno. Mas no coração, é um filme brasileiro.” E o que Tião achou da indicação? “Ainda não consegui falar com ele. Estou esperando ele chegar em casa, mas vai ficar feliz, com certeza.”