A Praça Wilson Joffre, no centro de Cascavel, será o cenário do 1º Show de Hip Hop, neste domingo, a partir das 14 horas, com a participação dos grupos Visão Periférica, Versão Criminal, Expressão Verbal, Expressão Periferia, Thiaguinho Frestyle, Eduardo Amaro (Radox) e Edson Batalha. A idéia surgiu a partir do Programa Conexão Periferia, sob o comando do músico Anísio Rocha, transmitido todos os domingos pela Rádio Colméia. O evento tem o apoio da Prefeitura Municipal de Cascavel, através da Secretaria da Cultura.

Segundo o coordenador do evento, Anísio Rocha, o hip hop reúne diferentes manifestações artísticas que traduzem a indignação, o sofrimento e o desejo de um futuro melhor. "É um importante agente de transformação resgatando a história não oficial dos movimentos e lutas. É um aliado na educação da juventude que encontra nesta cultura aquilo que deveria aprender na escola", explica.

Um dos pilares de sustentação do hip hop, segundo ele, é a música rap. "Este é o maior veículo de comunicação de massas excluídas, levando informações a pessoas e locais geralmente esquecidos, propositalmente ignorados. É através desse importante veículo que os pensamentos ganham o mundo, ecoando relatos sobre todas as mazelas, sem medo de censuras oficiais ou paralelas, exercendo na prática o direito de informar – são os iguais informando aos iguais, sem intermediários", continua.

A grande identificação dos jovens das periferias em relação ao hip hop, de acordo com Thiago Josias Pinheiro, do Versão Criminal, é justamente a necessidade de lazer e cultura, ou seja, é um canal de expressão acessível e representa o reconhecimento da  realidade dos bairros.  "No hip hop a periferia se enxerga e através dele faz ecoar o seu grito, mostrando a visão real da árdua luta pela sobrevivência nas comunidades, das necessidades do ser humano nesta sociedade opressora onde quesitos básicos da vida são negados e para driblar a teimosa realidade, desenvolvemos a criatividade", explica.

Para Miguel Henrique Marques, também do Versão Criminal, hip hop é mais do uma simples indumentária. "Representa a favela, o sofrimento e acima de tudo expressão de liberdade e a pluralidade de idéias", diz. Segundo ele, longe de cartilhas ou estatutos, a maioria das organizações é informal e para curtir o movimento, deve-se estar desprendido para escutar a livre expressão de pensamento. "Entendemos que o compromisso social do hip-hop não pode estar a serviço de meia dúzia em detrimento da participação e interesse de milhões. O hip hop é nosso e nunca vamos nos vender", diz, referindo-se à indústria cultural.

Histórico

O hip hop é um movimento cultural que surgiu nas comunidades afro-americanas das regiões Bronx, Queens e Brooklyn de Nova Yorque no início dos anos 1970. Parte da cultura se tornou bastante difundida durante as décadas de 1980 e 1990, por todo o mundo. O DJ Kool Herc é geralmente considerado como o criador do movimento, sendo creditado ao DJ Afrika Bambaataa o termo hip-hop para descrever a cultura. Os quatro elementos da cultura hip-hop são o MC (rap), DJ, grafite e breakdance. Alguns ainda consideram o beatboxing como quinto elemento. Outros ainda adicionam o ativismo político, a moda hip hop e a gíria hip hop como outros elementos importantes da cultura.

Serviço:
Evento: Show de hip hop
Local: Praça Wilson Joffre
Data: Dia 30 (domingo)
Horário: a partir das 14 horas
Melhores informações: (45) 9105-7768