O Globo Repórter completa três décadas.

O “Globo Repórter” comemora 30 anos bem diferente de como nasceu. A produção estreou em 3 de abril de 1973 como um núcleo independente da emissora, formado por cineastas, e com o propósito de desenvolver documentários para a tevê. Nesta fase, em plena ditadura militar, o repórter quase não aparecia. Em 1983, o programa foi integrado à Central Globo de Jornalismo. Desde a estréia, no entanto, é líder de audiência investindo, principalmente, em pautas sobre o “mundo animal” e “turismo ecológico” – das 50 edições de 2002, por exemplo, 22 foram sobre a Patagônia chilena, a Bahia selvagem, a Cordilheira dos Andes…

Exibido às sextas, às 21:45 h, o “Globo Repórter” mantém a média anual de 32 pontos. “O ?Jornal Nacional? fica com as matérias investigativas e o ?GR? com assuntos variados. Mas a audiência prova que o espectador gosta do programa. É preconceito dizer que o ?GR? não é investigativo”, afirma a editora-chefe Silvia Sayão.

Para comemorar os 30 anos – equivalente a impressionantes 1.500 edições -, o “Globo Repórter” vai exibir quatro programas especiais em abril. O primeiro é “Aventura Estação Antártica Brasileira”. A matéria é assinada por Ernesto Paglia, que há 20 anos perdeu o lugar para Hermano Henning na primeira equipe que o “GR” enviou para o continente gelado. O programa aguardou por um ano a autorização para visitar a Estação Comandante Ferraz, um complexo de 64 contêineres, “tipo Lego gigante”, para cientistas brasileiros desenvolverem pesquisas. Ernesto foi de avião até Punta Arenas, no Chile. De lá, embarcou em um navio onde passou pelo Estreito de Magalhães, Terra do Fogo, e a Passagem de Dreik, onde o Atlântico encontra o Pacífico, local batizado de o “pior mar do mundo”. “Foram três dias só para atravessar os mil km da passagem. Foi tranqüilo, mas chacoalhou muito”, conta Paglia, que ficou 17 dias no verão da Antártida e só pegou -1º C. “No Ártico, peguei -35º C na primavera da Groenlândia”, compara.

O segundo programa será “Casamentos e Separações”. Quando o “Globo Repórter” estreou, a Lei do Divórcio ainda não existia no País. A repórter Graziela Azevedo vai relembrar o processo que regulamentou o desquite dos brasileiros e entrevistar famílias que passaram pela experiência do “casa-separa”. O terceiro programa da série é batizado de “O Repórter É Você”. Ele é todo baseado em sugestões dos espectadores, que vão apontar matérias inesquecíveis, imagens chocantes, repórteres que marcaram época… O maior programa será o quarto. Com 60 minutos de produção, o “30 Anos Brasil” vai detalhar as principais mudanças que aconteceram no País desde a estréia do programa. O repórter Tonico Ferreira, por exemplo, vai até Cubatão, cidade paulista que passou por uma grave problema de poluição. “Vamos mostrar o desenvolvimento de várias profissões e a trajetória de pessoas. Vamos exibir uma imagem de Paulo Coelho, ainda roqueiro, falando de poluição”, adianta Silvia Sayão.

Sérgio Chapelin, que está no programa desde o n.º 1, não esconde o carinho pela produção, que abandonou apenas por um ano, quando foi para o SBT. Para ele, o “GR” sempre rendeu mais prestígio do que o “Jornal Nacional” e o “Fantástico”, que ele também apresentou. “Quando estreou, o ?Globo Repórter? era muito visto por estudantes e professores”, lembra. Na primeira fase do “GR”, Chapelin também era locutor. “Aliás, era o que melhor fazia. Sinto falta de fazer isto no programa, sim”, surpreende Chapelin.

Na verdade, o apresentador reconhece ser um saudosista. Chapelin, embora ache inevitável, não é adepto da tecnologia. Para o apresentador, quanto menos parafernália estiver ao seu redor, mais o principal vai aparecer: a informação e a sua voz. “Tenho horror de trabalhar em pé. Nunca sei o que faço com as mãos. Mas a gente tem de se adequar”, conforma-se Chapelin. Já Ernesto Paglia garante gostar das pautas nem sempre tão investigativas do “GR”, embora tenha feito várias para o programa em 24 anos de Globo. “Dá prazer também fazer a linha mais de documentário. O repórter tem de ser um contador de histórias, às vezes menos garimpeiro e mais ourives”, acredita Paglia.

Tragédias

Entre os programas de maior audiência do “Globo Repórter” aparecem o que enfocou a morte do grupo Mamonas Assassinas, com 52 pontos de média, sobre o 11 de setembro e sobre a queda do avião da TAM em Guarulhos, ambos com 44 pontos.