Quem sempre teve o ouvido aberto para a cena musical local de Curitiba certamente lembra do nome Karime Hass. Nos anos 2000, suas músicas eram facilmente apreciadas em alguns dos principais prefixos do rádio curitibano, ainda no estilo pop romântico que a lançou no mercado fonográfico. Hoje, depois de se entregar ao samba e adotar o apelido “Branka” como nome artístico – “Eu era chamada de Branquinha quando comecei a cantar nas rodas de samba” -, a curitibana apresenta seu mais novo trabalho: “Trilha Sonora”.

O álbum é uma homenagem ao compositor e cantor carioca Sombrinha, um dos principais nomes do samba brasileiro. “Sua obra é imortal. É uma felicidade e um desafio interpretar uma obra com tanto conteúdo textual e melódico, com parcerias tão importantes”, diz a cantora. Desde 2011 no Rio de Janeiro, onde foi divulgar seu disco “Amor Solene”, ela se “reapaixonou pelo samba” e passou a ser presença constante e de destaque nas principais rodas cariocas.

“Foi um resgate da infância, pois cresci ouvindo samba com os meus pais. Veio uma composição atrás da outra e então resolvi fazer um novo projeto. Nilo Romero, produtor dos dois álbuns anteriores – Faces e Fases (EMI- 2003) e Amor Solene (2008), me indicou o Carlinhos Sete Cordas, hoje meu parceiro de música e vida”, contou à Tribuna.

Dessa parceria nasceu o álbum Barra da Saia, de 2012, que levou Branka ao maior reconhecimento de sua carreira. O disco, que tinha participação de Zeca Pagodinho, foi indicado ao Grammy Latino. Logo depois, a artista lançou a “Trilogia flores douradas”, em 2015, com a participação de Xande de Pilares e Arlindo Cruz.

Curitibanos no samba

Embora tenha alguns espaços dedicados ao samba, Curitiba não é conhecida pela pujança do estilo. Branka, inclusive, não acha inviável viver de samba na capital paranaense. “Um exemplo disso é o Quintal da Dona Maria, um espaço de resistência do samba aí em Curitiba, no qual já me apresentei várias vezes. A casa vive cheia. Sem esquecer de mencionar Julião Boêmio, um exímio cavaquinista da nossa terra, que tem uma carreira reconhecida e respeitada”, disse Branka.

O estilo, às vezes confundido com o pagode – que é algo totalmente diferente – tem pouco espaço de divulgação por essas bandas, mas segue respeitado no país. Aliás, o tamanho do espaço é inversamente proporcional à quantidade e a qualidade do samba produzido no país. “Temos uma imensa safra de novos compositores e artistas vivenciando e defendendo o samba. Seria bacana termos mais espaço na grande mídia e nos rádios que raramente o tocam”, afirmou a sambista curitibana.

Requinte

O álbum “Trilha Sonora” traz a direção musical de Carlinhos Sete Cordas e oito faixas inéditas de Sombrinha em parcerias com Zélia Duncan, Moacyr Luz e Arlindo Cruz. Os sambas receberam uma roupagem requintada com arranjos dos pianistas Leandro Braga, Gilson Peranzetta e Fernando Merlino. Destaque para o samba ‘Desamor’, de Sombrinha e de seu parceiro mais constante, Arlindo Cruz, composta em 1984 e guardada até agora a sete chaves.

Ouça um pouco da obra de Branka!

O álbum será lançado no dia 31 de janeiro em Niterói (RJ), com datas previstas para Rio de Janeiro, São Paulo, e outras cidades, incluindo Curitiba.

Lembra?

Branka, ainda conhecida como Karime Hass, fez sucesso nos anos 2000. “Toquei muito nas rádios com as músicas ‘Garoto Inerte’ de minha autoria, ‘Simplesmente’, de Samuel Rosa, ‘Junto ao mar’, de Herbert Vianna e ‘Sonho Azul’, uma versão em português de “Close to you” (minha e de Tom Arruda), autorizada por Burt Bacharach”, relembrou.