Salas vazias: aumento das vendas
de DVD causou impacto sobre a
venda de ingressos para o cinema.

A indústria cinematográfica está passando por uma crise, é o que indica uma pesquisa da agência de estatísticas cinematográficas Filme B. Segundo dados apurados terça-feira passada, o público das salas de cinema caiu 43% no Brasil, se comparado ao mesmo período de 2004. A maior bilheteria registrada este ano foi com o filme Constantine, que levou 2,5 milhões de espectadores aos cinemas do país. Ano passado, o Homem aranha 2 atingiu a marca de 7,7 milhões de público no primeiro semestre.

Os números também se referem a bilheteria do cinema nacional. Até junho, a queda de espectadores foi de 44%, em relação ao primeiro semestre do ano passado. Dos 17 títulos lançados neste ano, até o momento nenhum se aproximou da marca dos 3 milhões de espectadores. Em 2004 os dez filmes mais assistidos (nacionais e estrangeiros) tiveram públicos superiores a esta marca.

Segundo o diretor da distribuidora Lumière, Bruno Wainer, a principal causa pela ausência de espectadores é a má qualidade dos filmes. ?Esta safra não está boa. Como o valor do cinema é caro para o brasileiro, esses dados se tornam normais. Preço alto com safra ruim não lota cinema algum?, afirma. Outra possível razão para tantas salas vazias é o aumento no consumo de DVDs. Para Wainer, esse dado não é desculpa, já que o consumo brasileiro de DVDs ainda não é tão alto como o americano. ?A perspectiva de melhora fica para 2007, caso as boas produções tenham uma retomada. Entre a plantação e a colheita se leva dois anos?.

Segundo o coordenador de cinema da Fundação Cultural de Curitiba (FCC) e diretor da Cinemateca, Francisco Alves, a debandada está ligada ao alto custo do ingresso. ?É claro que a qualidade das produções precisa acompanhar um preço razoável?, afirma. Para Alves, o cinema brasileiro está vivendo uma boa fase de produção. ?É o momento certo para conquistarmos o nosso espaço nas salas de cinema?. Há cinco anos as produções de entretenimento americanas comandavam as bilheterias brasileiras.

Em 2003, Lisbela e o Prisioneiro, de Guel Arraes, obteve 3,1 milhões de espectadores; no ano anterior, Cidade de Deus deu início a uma seqüência de boas bilheterias seguido por Carandiru Olga e Cazuza – o tempo não pára. A produtora de Lisbela e o Prisioneiro, Paula Lavigne, lançou em janeiro deste ano Meu tio matou um cara, com pouco mais de 500 mil espectadores. Para o começo de outubro ela lança O coronel e o lobisomem, no entanto, a produtora já demonstra pouca expectativa de sucesso.

Alternativa

Em Curitiba o projeto Cinema a 1 real, da FCC, tem dado bons resultados. Com o valor de R$ 1 aos domingos, no Cine Luz e na Cinemateca, atualmente as salas têm tido lotação. Neste final de semana a FCC realiza a Mostra do Cinema Europeu na Cinemateca, com entrada franca. A Cinemateca fica na Rua Carlos Cavalcanti, 1174. O Cine Luz fica na Rua 15 de Novembro, 822.