Costa-Gavras confirma – em abril, ele vem ao Brasil no quadro do evento França-Brasil, para mostrar no Recife seu filme Éden à l’Ouest, que encerrou no sábado a Berlinale de 2009. Embora o Festival do Recife continue sendo do cinema brasileiro, este ano presta homenagem ao diretor greco-francês que virou referência por seus filmes políticos, nos anos 60 aos 80. Os melhores e mais famosos o colocaram na mira da censura do regime militar brasileiro – Z, A Confissão, Estado de Sítio.

Costa será homenageado com uma pequena retrospectiva de seus clássicos, mas ele avisa – “Está difícil conseguir uma cópia em bom estado de Z.” Vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro de 1969, Z reconstitui o assassinato do deputado Lambrakis pela ditadura dos coronéis gregos. O filme passa-se na Grécia, dirigido por um grego, mas a produção é argelina e, como tal, foi recompensado pela Academia de Hollywood. Costa-Gavras não é dono dos direitos de Z.

Após a exibição de Éden à l’Ouest para a imprensa em Berlim, o diretor passou parte da tarde dando entrevistas. O tema de Éden à l’Ouest é o imigrante, por meio da odisseia desse homem (Riccardo Scamarcio), que atravessa o Mediterrâneo em busca do paraíso, representado por Paris, a Cidade-Luz. Costa quis fazer um filme leve sobre um tema pesado. “É uma fábula”, ele diz. Sendo o relato o de uma odisseia, o herói não é Ulisses, mas o Cândido, de Voltaire. Dentro de dois meses o próprio diretor vem mostrar Éden à l’Ouest e você poderá ver se o formato de fábula realmente convém à sua tragédia contemporânea.