Jorge Dória, O Avarento:
presente por seus 80 anos.

Curitiba recebe esta semana dois clássicos da dramaturgia mundial. Do Rio de Janeiro, a Companhia Limite 151 traz O Avarento, com Jorge Dória à frente do elenco e direção de João Bethencourt. De Londrina, a Companhia Independente de Teatro apresenta a tragédia grega Medéia, de Eurípedes.

A conhecida comédia de Moliére foi a escolhida para festejar os 10 anos da Limite 151 e os 80 anos de Jorge Dória, premiado com o papel-título. Ele vive Harpagão, velho ambicioso e insensível que quer casar sua filha com Anselmo, homem rico que pode lhe garantir uma boa vida -mesmo ela estando apaixonada por Valério. Para o outro filho, Cleanto, que ama Mariana, Harpagão arranja outro casamento com uma senhora rica. O velho, por sua vez, tenta se casar com a moça, de olho no seu dote. No elenco, além de Dória, estão Gláucia Rodrigues, Gustavo Ottoni, Edmundo Lippi, Márcio Ricciardi e Janaína Prado, entre outros.

Os londrinenses da Cia. Independente também estão festejando um aniversário, os seus 15 anos de atividades, e escolheram Medéia para marcar a data. São 16 espetáculos com um elenco prioritariamente paranaense, com destaque para a londrinense desgarrada Sílvia Monteiro, que faz a protagonista. “Precisávamos montar um elenco que fizesse jus a esta produção, pois ela finaliza a nossa trilogia sobre a intolerância humana na ótica feminina, proposta do nosso produtor cultural Weber Wanderley”, explica.

O primeiro pilar dessa trilogia foi Salomé, de Oscar Wilde (2000) e o segundo Mary Stuart, de Friedrich Schiller (2001). Dividem o palco com Sílvia Monteiro o ator Donizetti Buganza – considerado um dos melhores de Londrina -, que faz Creonte, Thaís Helena D?Abronzo, como Ama, Eduardo Abreu Silva, que vive Jasão e as ninfas Carla Marques e Suzana Azevedo.

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O Avarento – Em cartaz de amanhã a domingo no Teatro Fernanda Montenegro, amanhã e sábado às 21h e domingo às 19h. Ingressos a R$ 20 (amanhã e domingo) e R$ 25 (sábado).

Medéia

– No Cleon Jacques de amanhã ao dia 29, sextas e sábados às 21h e domingos às 19h. Ingressos a R$ 10 e R$ 5 (meia). O Teatro Cleon Jacques fica no Parque São Lourenço.

Teatro satiriza televisão

O nome é impronunciável, uma duvidosa aglutinação de “escracho” com “trash”, mas o espetáculo Scratrash – que estreou ontem no teatro Espaço Dois – promete corroer os pilares da televisão brasileira com humor ácido e uma crítica debochada do conteúdo (ou falta de) do veículo. Para isso, Maurício Schenberger (texto) e Paulinho Maia (direção) recorrem à linguagem trash e ao besteirol, que se manifestam numa encenação desorganizada e “suja” – onde um ator pode entrar sem uma parte do figurino ou com objetos estranhos em cena.

O elenco é formado por quatro jovens atores, Maurício Schenberger, Lenita Lobo, Marcilene Santilli e Rômulo Zanotto, que se desdobram em dezenas de tipos caricatos, com atrizes se travestindo de galãs mexicanos, e homens como as “apresentadoras peruas” da telinha. A direção chama a atenção para uma cena em que todo o diálogo foi construído a partir de títulos de novelas brasileiras, como O Sheik de Agadir, Vale Tudo e Uga-Uga. Iluminação, trilha sonora, figurino, maquiagem e cenários acompanham a linha debochada da trama, subvertendo totalmente o “cuidado com a estética” estabelecido pelo “Padrão Globo de Qualidade”.

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Em cartaz até 18 de outubro no Espaço Dois (Rua General Carneiro, 814), de quarta a sábado às 21h e domingos às 19h. Ingressos a R$ 10 e R$ 5 (meia entrada).