O mês do teatro na capital paranaense
começa ousado, com uma peça difícil,
mas um grupo bom.

Bertolt Brecht continua sendo um dos mais polêmicos e provocadores dramaturgos, pois sua obra tem a capacidade de, ao mesmo tempo, ser direta e dissimulada, simples e complexa, conquistando o agrado dos intelectuais e do povo. O texto dele tem compromissos firmados com a causa política, sem, no entanto, em qualquer momento, deixar de apresentar seu autor como um artista talentoso, criador e renovador de sua arte. Nesta montagem que estréia hoje na cidade (Espaço Pé no Palco – rua Conselheiro Dantas, 20, Rebouças), o diretor é Enéas Lour, um dos mais atuantes e premiados artistas cênicos do Paraná.

Como sempre, a peça é uma releitura feita pelo diretor, tendo como inspiração duas peças radiofônicas (O vôo sobre o oceano e Baden-Baden) além de outras poesias do grande dramaturgo alemão. A montagem de A longa viagem do comandante Fulano de Tal através do grande oceano não é simples e deve ser conectada ao nosso tempo. Busca uma linguagem dinâmica para encenar a história do comandante aviador que, pela primeira vez, tenta cruzar o grande oceano com sua máquina voadora. Fazer uma peça do Brecht, como diz o jargão dos artistas, não é fácil. E a principal dificuldade é o esforço de aproximação com o tal Bertolt Brecht.

Fácil seria assumir a “forma do teatro de Brecht” em oposição ao “seu conteúdo político”, considerando atual apenas uma destas partes. Porém, a forma do teatro de Brecht é a expressão de sua política. A peça traça metáforas desta longa e solitária viagem com a própria trajetória do homem comum pela vida, em busca de seus sonhos, de suas realizações, seu destino.

Em cena, estão cinco atores (Fernando Bachstein, Fernanda Machado, Renata Bruel, Adriano Peterman e Allan Raffo) neste espetáculo em que a primazia é para o trabalho conjunto dos atores. A direção musical está sob a responsabilidade de Rafael Camargo, criador de espetáculos como Lingüiça no campo e A anta de Copacabana, que recentemente consagraram-se como grandes sucessos de público em Curitiba.

A criação da iluminação está a cargo de Beto Bruel, que em 2004 foi indicado, pela terceira vez consecutiva, ao Prêmio Shell de Iluminação no Brasil, além de ser o mais premiado artista cênico do Paraná, com o Troféu Gralha Azul.

A montagem, que tem na produção executiva Luís Roberto Meira (O processo, A colônia penal e O homem elefante) fará parte do Fringe no 13.º Festival de Teatro de Curitiba e prosseguirá em cartaz, com sessões de quarta a domingo, às 21h.

Ritmove – experiência em dança e teatro

O novo espetáculo que estréia na próxima quinta-feira no Teatro José Maria Santos, Ritmove, é uma parceria entre o Guaíra 2 Cia de Dança e o Yesbody Teatro Físico, com uma coreografia baseada na combinação das palavras, ritmo e movimento do corpo. A coreografia é inédita, de autoria de Júlio Mota, mesmo autor do O Tombo, espetáculo que lotou o Guairinha em sua temporada de 2002/03.

Mota explica que a trilha sonora surgiu de uma pesquisa de ritmos típicos brasileiros misturados às influências rítmicas da música contemporânea mundial, como hip hop, techno e rock. Esta primeira temporada acontece de 4 a 13 (de quinta a sábado) no Teatro José Maria Santos, às 20h30.

O trabalho entre o Guaíra 2 – Cia de Dança e Júlio Mota (também é bailarino do G2 além de diretor e coreógrafo do Yesbody) tem o objetivo de dar continuidade a uma parceria mantida por ambos no espetáculo O Tombo, onde a experiência artística dos integrantes do G2 foi fundamental para o êxito do trabalho.

Segundo Mota, neste processo, os intérpretes, que também são criadores, buscam desenvolver uma narrativa valorizando os recursos expressivos do corpo, criando assim uma dramaturgia corporal que é característica do Teatro Físico, um gênero teatral ainda pouco conhecido e explorado no Brasil. “Neste gênero teatral o corpo, ao contrário da palavra, é o principal meio de expressão”, afirma.

Serviço:
Espetáculo: Ritmove.
Guaíra 2 Cia de Dança e Yesbody Teatro Físico.
Local: Teatro José Maria Santos (Rua Treze de Maio, 655). De 4 a 13 de março.
Horário: 20h30
(quinta a sábado)
Ingressos: R$ 10,00
R$ 8,00 (bônus)
R$ 5,00 (meia-entrada)