Barbara Heliodora trocará, mesmo que por breves instantes, a plateia pelo palco. A partir desta sexta-feira, 06, dá início a nove encontros (até 22 de dezembro) centrados na sua conexão com a dramaturgia de William Shakespeare e, particularmente, Hamlet. No evento intitulado “Barbara e Hamlet: Uma História de Amor”, Barbara surgirá, às sextas-feiras, sozinha na arena do Sesc Copacabana, no Rio de Janeiro, para ler e comentar trechos da célebre peça, dividida em três partes.

Aos sábados e domingos, profissionais experientes – Jacqueline Laurence, Francisco Cuoco, Inez Viana (com o seu grupo, Omondé), Miriam Freeland, Roberto Bomtempo, Thiago Lacerda e Bianca Ramoneda – apresentarão fragmentos do texto, seguidos de leituras realizadas por alunos de escolas de teatro entremeadas por observações de Barbara, que assume o medo diante da empreitada.

Na juventude, Barbara passava mal ao ter que falar em público. “Este temor melhorou quando comecei a dar aula”, afirma a crítica teatral, de 90 anos recém-completados, que prefere a plateia ao palco. Lembra de uma conversa que teve com Fernanda Montenegro sobre isso. “Eu disse para ela: ‘Como é boa a profissão de diretor’. Fernanda respondeu: ‘Mas o diretor, muitas vezes, não está nem presente na hora da apresentação’. Eu, então, retruquei: ‘Exatamente’. O ator deve ter prazer em estar em cena, o que não é o meu caso”, constata.

Encantada pela direção, Barbara estava decidida a conduzir uma montagem de “Timão de Atenas”, de Shakespeare. “Entretanto, vi que não teria condições físicas. Farei uma consultoria”, anuncia, acerca do espetáculo que será dirigido por Bruce Gomlevsky.

O projeto “Barbara e Hamlet: Uma História de Amor”, com supervisão de André Paes Leme, nasceu de uma iniciativa da atriz Camilla Amado. “Ela integra o grupo que estuda Shakespeare aqui em casa uma vez por semana. Um dia, disse: ‘Eu aprendi tanta coisa que não sabia. Você não falaria diante do público?’ Pensei que ela estivesse brincando. Mas chegou depois com tudo acertado com o Sesc”, relata.

Para ilustrar a sua fala, a também tradutora levará uma maquete do Globe Theatre, feita por seu irmão, que ocupa lugar de destaque na sala de sua casa, no Cosme Velho. “O The Globe tem todas as vantagens da arena, mas protege o ator com o fundo de cena coberto. Afinal, na arena, alguém sempre fica de costas para uma parte da plateia num momento crucial”, explica.

A cada vez que relê uma peça de Shakespeare, Barbara se depara com novas possibilidades. “Eu penso: ‘Como não percebi isso antes?’ De repente, nós notamos que algo dito tem consequências ao longo do texto. Tudo acaba se tornando relevante no decorrer da peça”, sublinha.

A crítica realça as virtudes de Shakespeare como autor popular: “Ele se expressava por meio de ações. Criava imagens por meio das palavras, estimulando a imaginação do espectador. Shakespeare teve um grande caso de amor com a humanidade, assim como Chekhov e Molière”.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.