É difícil entender porque Pé na Jaca, que estreou com uma média de audiência de 40 pontos, chega aos seus últimos capítulos sem conseguir superar os 30. A novela teve ação e dinamismo, características sempre presentes nas histórias de Carlos Lombardi. Desta vez, no entanto, o autor adicionou à receita boas doses de romance e drama, o que poderia atrair quem gosta de folhetins mais clássicos. Mas a proposta não colou. Por mais que o idealizador da história tenha se esforçado para ser fiel ao seu estilo, o resultado não foi satisfatório.

Lombardi é atencioso desde o início, na escolha do elenco. E dessa vez não foi diferente. Os atores presentes no eixo central de suas novelas estão longe de serem monstros sagrados da televisão, mas sabem interpretar seu texto como ninguém. Para o que foi convocado a fazer, Marcos Pasquim esteve muito bem. Beth Lago também. Murilo Benício, apesar do tom de voz insuportável quando se assiste à trama por mais de dois dias seguidos, mostrou-se engraçado como Arthur. E um feito que mais parece impossível também foi alcançado em Pé na Jaca: personagens bonzinhos como a Guinevere, de Juliana Paes, se destacaram mais do que os vilões. Até porque a mocinha defendida pela atriz era correta e cheia de boas qualidades, mas também tinha seus defeitos e brigava e discutia demais. Não era uma ingênua absoluta, o que é comum com as heroínas de muitas novelas. A pior performance entre os maus foi de Deborah Secco, como Elizabeth. Mas uma trupe quase toda bem entrosada não basta.

Dessa vez, em favor da emoção, as perseguições diminuíram, personagens não despencaram de penhascos, a adrenalina foi usada em doses homeopáticas. A movimentação esteve presente, mas em menor grau. E para muitos, isso pode ter parecido perda de identidade de Carlos Lombardi. Sem contar que dessa vez o autor não contou com atrizes sensuais e seminuas desfilando. A menos vestida era Flávia Alessandra, que mesmo assim esteve bem comportadinha. É oportuno dizer que a novela não chegou nem perto de histórias arrastadas de outros horários e autores. Os vários protagonistas que se revezaram no decorrer dos capítulos garantiram o dinamismo. Mas para quem estava acostumado a explosões e correria, as pitadas de chororô causaram espanto.

É verdade que os flashbacks foram usados em excesso. O corre-corre também foi grande para gravar os capítulos que eram liberados em cima da hora e a falta de roteiro prejudicou o andamento da história, inclusive com capítulos sendo reescritos de última hora. Fora isso, as cenas continuaram curtas e as piadinhas estavam bem costuradas com o contexto. E como ?brinde?, Pé na Jaca ainda trouxe uma Fernanda Lima mais preparada e segura na pele de Maria. Pé na Jaca foi uma surpresa. Positiva ou negativa, depende do ângulo que se vê.