São Paulo, (AE) – Ruy Castro vai entrar em transe. Há 15 anos, quando A noviça rebelde foi lançado em vídeo, ele escreveu um texto que equivalia a uma declaração de amor. Sob o título ?A noviça agora é uma rebelde consagrada??, Castro lembrou que, em 1965, a crítica torcia o nariz para o filme com Julie Andrews e dizia que já não se faziam musicais como antigamente. Hoje (em 1991), Castro observava que se podia dizer a mesma coisa, mas agora a favor do cult de Robert Wise. A noviça está saindo num DVD de luxo, para colecionadores. Comemorativo dos 40 anos do filme, o DVD duplo traz entrevistas com o diretor, com os astros Julie Andrews e Christopher Plummer, com as crianças, making of, tudo isso e mais uma karaokê para você cantar junto as canções que ficaram famosas. Como cereja do bolo de aniversário, quem comprar o DVD concorrerá a uma viagem aos  locais em que o filme foi feito, nos Alpes Suíços.

Baseado no musical de Hammerstein e Rodgers, o filme de Wise, que tem roteiro de Ernest Lehman, conta a história (real) da família Trapp pelo ângulo de Maria, a noviça que vai trabalhar como babá na casa do capitão (e barão) Von Trapp, conquista as crianças, casa-se com ele e vivem todos felizes para sempre – mas só depois de escapar dos nazistas, que estão anexando a Áustria e querem transformar o capitão nacionalista num colaborador exemplar.

Wise nunca foi bem-visto pela crítica francesa. ?Cahiers du cinéma? ironizava – dizia que ele não era wise (sábio). Na segunda metade dos anos 1950, o diretor fez um punhado de filmes combativos, abordando temas polêmicos. Em 1965, quando o mundo estava mudando e Hollywood enterrava o código de (auto)censura da indústria, Wise deu a marcha à ré e fez esse filme pueril, lacrimoso e o que mais? Cheio de concessões à platéia? Era como os críticos tratavam A noviça. A pancadas.

O tempo mostrou que o filme é mais divertido e menos pueril do que parece. Possui grandes cenas – aquela em que o capitão conclama os austríacos a cantarem Edelweiss, na cara dos alemães, evoca a da Marselhesa no clássico romântico Casablanca, de Michael Curtiz. E a noviça, propriamente dita, Julie Andrews, é irresistível. O tempo passa e hoje o que salta aos olhos é como A noviça rebelde é bem montado. Qual é a surpresa? Wise, afinal, montou (com Mark Robson) o clássico Cidadão Kane, de Orson Welles.

Serviço – A noviça rebelde -The sound of music. EUA, 1965. Direção de Robert Wise. DVD duplo da Fox, R$ 39,90.