A Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês) anunciou nesta terça-feira o descredenciamento do Ladetec, único laboratório brasileiro que tinha aprovação da entidade para fazer exames antidoping. No último dia 8, o local, que fica no Rio, já havia sido suspenso pelo organismo internacional que combate o uso de substâncias dopantes, mas agora teve o seu credenciamento oficialmente revogado.

A Wada alegou que “repetidas falhas” do Ladetec em testes antidoping provocaram a decisão, tomada nesta terça pelo Comitê Executivo da entidade menos de dez meses antes do início da Copa do Mundo de 2014, o que representa um fato negativo para o Brasil e para a cidade que receberá os Jogos Olímpicos de 2016.

Ao confirmar a suspensão da licença do laboratório brasileiro, a Wada informou que o mesmo ainda pode apelar contra a decisão na Corte Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês) dentro de um prazo de 21 dias, antes que a revogação do credenciamento entre em vigor a partir do próximo dia 25 de setembro.

Suspenso desde o último dia 8, o laboratório não teve as suas “falhas” especificadas pela Wada nesta terça, mas essa foi a terceira punição aplicada ao Ladetec em um pouco mais de um ano. Em abril do ano passado, o local já havia sido proibido pela entidade de realizar exames de IRMS (espectrômetro de massas de medidas de relações isotópicas), um dos testes mais avançados para detectar substâncias proibidas. Em seguida, neste mês de agosto, o laboratório foi suspenso pelo organismo fiscalizador, antes de agora ter o seu credenciamento revogado.

A primeira destas punições se deveu à falha no teste de Pedro Solberg, jogador brasileiro de vôlei de praia flagrado em exame realizado em 2011. Após a Federação Internacional de Vôlei (FIVB) protestar contra o teste que apontou doping do atleta, o Ladetec refez o mesmo, que deu resultado negativo. Desta forma, Solberg acabou sendo absolvido da acusação de doping.

Suspenso e inelegível para realizar exames antidoping, o Ladetec seria o responsável por analisar todas as amostras dos jogadores que participarão da Copa do Mundo de 2014. Ao descredenciar o laboratório, a Wada apontou, por meio de nota oficial, que a punição ocorreu “devido à não conformidade com o Padrão Internacional para Laboratórios e os documentos técnicos relacionados”.