Nürburgring – A volta perfeita e um tempo que desmoraliza a concorrência. Assim Michael Schumacher começou ontem, em Nürburgring, a colocar em prática seu plano de vingança de Mônaco. Domingo passado, no principado, o alemão foi tirado da corrida por Montoya quando liderava. Agora, correndo em casa, quer mostrar que a derrota em Monte Carlo não passou de um acidente de percurso.

O ferrarista, que venceu cinco das seis provas disputadas neste ano, conseguiu sua quinta pole na temporada com o tempo de 1min28s351. Foi 0s635 mais rápido que o segundo no grid, Takuma Sato. O piloto da BAR larga pela primeira vez na primeira fila e nunca, na história, um japonês tinha conseguido tal façanha. Sato, na pré-classificação, fora o mais rápido com a melhor volta do fim de semana, 1min27s691. O melhor grid nipônico até ontem havia sido o terceiro lugar dele mesmo na Espanha, no início do mês.

“Eu já esperava fazer a pole aqui. Fiz uma volta perfeita e só fiquei surpreso com a diferença para os outros”, disse Schumacher, que larga em primeiro no grid pela 60.ª vez na sua carreira ? com mais cinco ele iguala o recorde de Ayrton Senna, único que ainda não bateu na Fórmula 1.

Seu companheiro Rubens Barrichello, em sétimo, ficou 1s002 atrás. O brasileiro insinuou que, como em Barcelona, tem uma estratégia diferente da do alemão. Talvez faça duas paradas, contra três de Michael. “Estou tentando alguma coisa diferente novamente”, falou Rubens, que venceu em Nürburgring há dois anos.

Ross Brawn, diretor-técnico do time, foi um pouco mais incisivo, dizendo que Barrichello “cometeu alguns erros” em sua volta lançada. O fato é que à frente dele há carros de três equipes diferentes, a Renault, com Trulli em terceiro e Alonso em sexto, a BAR, com Sato em segundo e Button em quinto, e a McLaren, com um surpreendente quarto lugar de Raikkonen, mostrando que o melhor tempo na sexta-feira não tinha sido um blefe total. “Vai ser uma corrida dura, mas acho que dá para brigar por um bom resultado”, prometeu Rubens.

A pole de Schumacher foi muito festejada pelos barulhentos torcedores alemães, mas ninguém estava mais feliz do que Sato em Nürburgring. “A volta do Michael foi impressionante, mas não deixei que me abalasse. Fiz tudo direitinho e agora espero que a corrida dure mais do que em Mônaco. Dá para chegar no pódio”, disse Taku, que na última prova quebrou na segunda volta.

O GP da Europa, deixando o favoritismo de Schumacher de lado, é um dos mais imprevisíveis do ano, dado o equilíbrio visto no grid ? de Sato, segundo, a Da Matta, 11.º, a diferença é de apenas 0s720. Renault, BAR e McLaren são candidatas a pódio, além da Ferrari. As estratégias de cada um e a performance dos pneus serão decisivas ao final das 60 voltas da prova, que começa às 9h de Brasília.