Brasileiro ficou em
segundo na última regata.

São Paulo – Mais uma vez Robert Scheidt mostrou porque é considerado o principal esportista brasileiro da atualidade e um dos maiores nomes da história do iatismo no Brasil. Líder do ranking da classe Laser e dono de duas medalhas olímpicas, ouro em Atlanta/96 e prata em Sydney/2000, Robert tornou-se ontem, em Bodrum, na Turquia, o primeiro brasileiro heptacampeão mundial de uma modalidade olímpica.

Foi o 107.º título em 22 anos de carreira e o sétimo em 2004, ano em que ele tem como principal objetivo as Olimpíadas de Atenas, em agosto. “Estou absolutamente realizado com o heptacampeonato. A ficha ainda não caiu, mas a sensação é indescritível”, comemorou o iatista, de 31 anos, patrocinado pelo Banco do Brasil, Medley Genéricos, Varig e Volvo Car Brasil e integrante da Equipe Petrobras de Vela. “Tive uma grande lição no ano passado, quando perdi justamente na última regata e o Gustavo Lima conseguiu o que parecia impossível. Reconquistar o título é até melhor do que defender o troféu.”

As duas regatas disputadas ontem, último dia do mundial, foram muito disputadas entre Scheidt e o australiano Michael Blackburn, o único que podia atrapalhar os planos do brasileiro. “Foi muita adrenalina. Eu estava em sexto na primeira regata, à frente do Blackburn, mas fui penalizado pelo júri com duas bandeiras amarelas e acabei desclassificado da regata. Isso deixou a situação complicada para a prova decisiva, que teve quatro largadas anuladas. Na hora que valeu, saí melhor que o australiano, consegui deixá-lo para trás e cheguei em segundo”, contou o melhor velejador do mundo em 2001 segundo a Federação Internacional de Vela (Isaf). Sétimo colocado na primeira prova, Blackburn não terminou a segunda regata do dia e perdeu o vice-campeonato por um ponto para o norte-americano Mark Mendelblatt.

Nas dez provas disputadas em Bodrum, Scheidt obteve quatro vitórias, dois segundos, um terceiro e um quinto lugares, além dos descartes de uma sexta colocação e da desclassificação desta quarta. O brasileiro terminou a competição com 16 pontos perdidos contra 24 de Mendelblatt e 25 de Blackburn.

O heptacampeonato de Robert representa o oitavo título mundial do Brasil na classe Laser, uma vez que Peter Tanscheit foi campeão em 1991, na Grécia.

“É um resultado muito positivo para o iatismo brasileiro. Foi suado pra caramba, as duas bandeiras amarelas por causa de movimentos não permitidos não estavam no programa, mas o Robert foi com tudo para a última regata do campeonato”, disse o técnico do iatista, Cláudio Biekarck. “Depois das Olimpíadas de Sydney, os adversários pensaram que o Robert era fraco em match race. Mas o australiano tentou a manobra quatro vezes na última regata e perdeu todas.”

Robert vira “rei dos mundiais”

São Paulo – Com a conquista do heptacampeonato na Turquia ontem, Robert Scheidt comprovou sua predominância no mundial da classe Laser. O brasileiro venceu sete das últimas nove edições do campeonato e foi segundo nas outras duas. Em 1999, na Austrália, o brasileiro terminou atrás do inglês Ben Ainslie, que hoje veleja na classe Finn. No ano passado, por apenas um ponto, Robert foi surpreendido pelo português Gustavo Lima, que teve atuação apagada em Bodrum. Scheidt tem agora mais que o dobro de conquistas do segundo maior vencedor na Laser, o australiano Glenn Bourke, ídolo do brasileiro e tricampeão mundial.

Além de sete títulos e dois vice-campeonatos, Scheidt foi sexto no mundial de 1994, no Japão, terceiro em 1993, na Nova Zelândia, e 20.º em 1991, na Grécia, ano em que venceu também o mundial júnior, na Escócia. Em 22 anos de carreira, o iatista acumula 107 títulos, sendo 92 na Laser.

Em 2004, com a conquista do inédito título da Semana Olímpica Francesa, em Hyères, em abril, Robert fechou o Grand Slam da Vela, formado pelas principais competições de vela no mundo, e segundo o site oficial da competição francesa, “mostrou que Pelé não é o único rei brasileiro”. Além da Semana de Hyères, fazem parte do Grand Slam a Semana de Kiel, na Alemanha, na qual o brasileiro foi bicampeão em 1999 e 2000, e a Semana de Spa, na Holanda, vencida cinco vezes pelo velejador: 1996, 1997, 1998, 2002 e 2003.

Para conseguir em Atenas a terceira medalha olímpica da carreira, Scheidt conta com o excelente retrospecto de sete títulos em sete campeonatos em 2004 e também com o fato de a competição ser menos exigente técnica e fisicamente do que o mundial. “Aqui foram mais de 140 velejadores, numa verdadeira maratona de sete dias. Nas Olimpíadas serão 40 participantes, um por país, com seis dias de disputa e intervalo entre uma regata e outra. Por outro lado, pelo fato de ser anual, a pressão no mundial é inferior à das Olimpíadas, que é uma competição de maior prestígio”, reconhece.