Barrichello sai na pole e é o favorito
para a vitória no GP do Brasil.

Havia mais de 30 mil pessoas nas arquibancadas de Interlagos ontem, quando Rubens Barrichello fez a sua segunda pole consecutiva para um GP do Brasil. O piloto saiu do carro depois de cravar 1min10s646 em sua volta lançada, e, emocionado, confessou que ficou com as pernas bambas ao terminar o treino de classificação. Tomou do microfone de uma emissora de rádio, cujo som é levado ao público no autódromo, e prometeu: “Amanhã tem mais”.

São Paulo – “Amanhã” é hoje, e o público realmente espera mais. Público que Rubens, ainda falando para a torcida, chamou de “minha família”. Diante dela o brasileiro quer, finalmente, ganhar uma corrida em seu país. O tabu é longo. Desde 1993 um piloto do Brasil não ganha em casa. E desde 1994, nenhum pontua. “Estou mais preparado do que nunca, como estava no ano passado. Tudo está dando certo, o fim de semana está sendo maravilhoso. Estou calmo e sereno. Mais um passo foi dado”, disse Rubens.

Barrichello nasceu e viveu quase 20 anos nas imediações de Interlagos. Ele sonha com uma vitória no “quintal” de sua casa, como costuma dizer. “Para mim, vale mais do que um campeonato.” A tarefa hoje, tecnicamente falando, não será das mais complicadas. Rubens foi o mais rápido em quatro das seis sessões de treinos desde sexta-feira. Ontem, ficou em primeiro na pré e na classificação. E, para ajudar, Michael Schumacher está afastado da disputa.

O alemão bateu muito forte no último treino livre da manhã, no Laranjinha, e seu carro ficou destruído. Teve de usar o reserva, o que fez com que perdesse dez posições no grid. Ficou com o oitavo tempo na classificação, mas vai largar em 18.º. “Nosso objetivo na corrida ficou claro: Rubens vai tentar a vitória e Michael, somar alguns pontos”, falou o diretor da Ferrari Jean Todt.

Barrichello falou que “a primeira batalha está vencida”, mas evitou prometer qualquer coisa. “Será uma briga dura. E o clima é um mistério.” Algumas equipes trabalham com previsão de chuva. Ontem não caiu uma gota sobre Interlagos.

A torcida fez festa no autódromo, pela pole e também pelo bom desempenho de Felipe Massa, quarto no grid. Todos os ingressos para hoje estão vendidos. “Pelo que vem fazendo, Rubens merece vencer”, decretou Ross Brawn, diretor-técnico do time. A única ameaça à realização do sonho de Barrichello, pelo que se viu nos treinos, estará ao seu lado na primeira fila: Juan Pablo Montoya, um piloto normalmente agressivo em largadas.

A corrida de hoje começa às 14h e terá 71 voltas.

Massa insatisfeito com 4.º

Largar em quarto lugar em seu país correndo por uma equipe de médio escalão poderia ser o suficiente para deixar qualquer piloto alegre. Mas, Felipe Massa não saiu muito contente com sua posição no grid de largada pela Sauber, que repetiu a melhor performance da carreira em treinos de classificação, estabelecida há um mês no GP da China. “Com o quarto lugar posso me considerar satisfeito, mas não posso dizer que estou totalmente feliz porque cometi um erro na curva 11, do Mergulho, e isso me custou um décimo, um décimo e meio de segundo que poderia ter rendido o segundo lugar no grid.”

Massa diz que não vai abdicar da sua característica pessoal: a valentia ao volante. “Pode ter certeza: agora que vou largar na frente aqui no Brasil é que não vou arrancar o pé do acelerador mesmo”, afirmou. O piloto espera talvez, fazer alguma ultrapassagem logo após a largada e manter-se em boa situação durante a corrida, mas tem perspectivas bem mais modestas quanto a qual será sua posição ao cruzar a linha de chegada. “Um lugar no pódio seria um sonho. Acho que as melhores chances são de pontuar mesmo.”

Para este domingo, o piloto não teme as previsões de chuva. “Se acontecer vai ser para todo mundo”, disse. Apesar de brasileiro, Massa acredita que se as condições climáticas mudarem estará em desvantagem em relação a muitos pilotos estrangeiros. “Alguns deles correram muito mais vezes aqui do que eu, como o Michael Schumacher, o Giancarlo Fisichella e o David Couthard.”

Pé-quente Massa vai contar com o apoio da família, em especial da irmã, Fernanda, que mora em Botucatu (SP). “Estive com ele na prova de Spa Francorchamps este ano, que foi o melhor resultado dele”, lembrou, admitindo que, como também esteve no treino de classificação, pode ser considerada pé-quente. “Só não estive no Autódromo nos outros dias para dar chance a outras pessoas da família, que não podem estar sempre perto dele.”

Desacerto

Ricardo Zonta não ficou muito feliz com o 14.º lugar no grid pela Toyota. “Meu carro estava com um bom acerto nos treinos livres, mas estava tocando um pouco a frente do assoalho na pista. Aí fizemos algumas mudanças e o carro saia muito de frente no treino de classificação, o que acabou atrapalhando bastante”, afirmou.

Os maiores problemas, segundo o piloto brasileiro, foram nas curvas de baixa velocidade. O piloto é um dos que torce para que chova hoje em Interlagos. “Talvez isso possa me ajudar a ganhar algumas posições.”