Certamente você já ouviu alguém falar, ou mesmo disse que determinado jogador ou dirigente “não tem cabeça” para defender uma equipe. Claro que as coisas não são assim, mas a psicologia do esporte é hoje fundamental para qualquer atleta profissional. E um dos principais especialistas do assunto no Brasil – e no mundo – é Gilberto Gaertner.

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É gente nossa, com um histórico invejável. Mestre e instrutor de caratê, Gaertner tem seu nome ligado à arrancada do vôlei brasileiro. Fez uma parceria vitoriosa com Bernardinho, primeiro no Rexona, aqui em Curitiba, e depois nas seleções masculina e feminina. Esteve na comissão técnica nas conquistas dos Jogos Olímpicos de 2004 e 2016, e hoje faz consultoria para o time comandado por Renan Dal Zotto.

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O psicólogo também tem passagem por Athletico, Coritiba e Paraná Clube – no Furacão, foi um período mais longo, no Coxa e no Tricolor em momentos específicos. Por isso, conhecendo o esporte e a intimidade dos nossos times, Gilberto Gaertner pode colocar o Trio de Ferro no divã. Leia as avaliações dele a partir de agora.

Athletico

Foto: André Rodrigues
Foto: André Rodrigues

A ‘temporada dourada’ do Furacão alterna momentos inesquecíveis com derrotas dolorosas – a mais recente para o Grêmio, pela Copa do Brasil. Só que a sequência de competições ajuda a aliviar a decepção. “Não dá tempo de chorar e fazer luto pela derrota, pois o foco já é transferido automaticamente para o próximo compromisso e suas demandas”, explica o psicólogo.

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Por isso ele defende que não se priorize uma competição, pois pode gerar uma preocupação lá na frente. “Não iniciar bem as disputas implica em ter que correr atrás de resultados na fase final da competição, o que eleva a temperatura e a pressão sobre os jogadores, comissão técnica e o próprio clube”, completa Gaertner.

Coritiba

Foto: Jonathan Campos
Foto: Jonathan Campos

O Coxa já teve que admitir que a questão emocional estava afetando o time. “Os jogos da Série B são de muita dificuldade e eu acredito muito na força mental”, chegou a dizer o técnico Umberto Louzer. A pressão de ser um clube obrigado a subir para a primeira divisão realmente atrapalha, segundo Gilberto Gaertner. “Trabalhar sob cobrança intensa pode elevar o nível de ansiedade e estresse e afetar o desempenho físico, técnico e cognitivo”, afirma.

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E mesmo na boa fase, com oito jogos de invencibilidade, é preciso manter o trabalho psicológico – justamente porque a cada rodada aumenta a expectativa de todos, principalmente do torcedor. “A pressão para o acesso, que é o caso do Coritiba e também do Paraná, não é tarefa fácil. Temos que lembrar que os campeonatos por pontos corridos são disputas de regularidade. A estratégia é diferente, todos os jogos têm o mesmo peso”, avalia o psicólogo.

Paraná

Foto: Felipe Rosa
Foto: Felipe Rosa

O Tricolor vive seu momento mais delicado na temporada, há sete rodadas sem vencer na Série B. Após o empate com o Criciúma no sábado (24), o técnico Matheus Costa disse que a questão emocional está afetando o time. “A preparação de alto nível no futebol é muito exigente e demanda o desenvolvimento de inúmeras competências e habilidades físicas, técnicas, táticas e psicológicas. O calendário do futebol brasileiro também é extremamente exigente para os atletas e clubes”, resume Gilberto Gaertner.

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Com dificuldades técnicas e uma crise financeira, manter um ambiente saudável de trabalho é o grande desafio paranista. “Treinar bem sistematicamente e não conseguir transferir para os jogos o que foi desenvolvido nos treinos é um sinal de que a pressão e as cobranças externas e internas estão interferindo no rendimento”, finaliza o psicólogo do esporte.