O domínio do futebol paulista está cada vez mais forte no Paraná. A 4.ª Pesquisa Lance!/Ibope, divulgada ontem, mostra mais uma vez o Corinthians como o clube mais popular no Estado. A novidade é que agora o Palmeiras também aparece à frente dos clubes paranaenses, na segunda posição.

Segundo os números divulgados pelo diário Lance!, 17,8% dos paranaenses torcem pelo Corinthians Paulista. Nas contas feitas pelo Ibope, 1.848.953 torcedores do Timão vivem no Estado. O Palmeiras tem a preferência de 13,3%, com 1.381.521 adeptos na terra dos pinheirais.

O Atlético, o melhor paranaense na lista, aparece na terceira posição, com 10%. São 1.038.738 atleticanos no Paraná. O Furacão é seguido de perto pelo São Paulo, com 9,5%. O Coritiba é apenas o quinto, com 6,0%, somando 623.243 coxas-brancas. O Paraná é o sexto, com 1,5%, ou 155.811 torcedores.

O Ibope entrevistou 7.109 pessoas em todo o Brasil, em 141 municípios. A margem de erro é de 1,2 ponto percentual, para mais ou para menos. É a quarta edição da pesquisa feita pelo instituto em parceria com o Lance!

Na edição anterior, publicada em 2004, o Atlético ainda aparecia à frente do Palmeiras. Mas mesmo oscilando de 9,7% para 10%, o Furacão foi ultrapassado pelo alviverde paulista.

Na pesquisa nacional, divulgada na semana passada, o clube da Baixada é o único paranaense entre os 20 primeiros. O Rubro-Negro está apenas na 19.ª posição, com 0,6%, com 1,2 milhão de torcedores no país.

Colonização

O que explica o domínio dos clubes paulistas no Paraná? A ausência dos times do Estado nas decisões dos principais campeonatos do país ao longo da história, excluindo-se apenas momentos pontuais, como os títulos nacionais do Coritiba, em 1985, e do Atlético, em 2001, é a resposta mais evidente.

A influência da mídia nacional, que dá grande destaque às equipes do Rio e São Paulo, com pouco espaço para as forças locais, também é outra explicação. Mas a raiz do problema tem ramificações mais profundas e remete à colonização e à falta de identidade do povo paranaense.

“O Paraná é uma região de ocupação recente. O norte do Estado é marcado pelas migrações mineiras, nordestinas e paulistas. No sudoeste, as migrações sulistas. Esses migrantes trouxeram suas culturas e, entre elas, a de torcer por seu clube de origem. A região da grande Curitiba vem se modernizando e atraindo uma leva de migrações de regiões diversas, sendo a maioria originária de grandes cidades onde já existem clubes com tradição”, diz o professor Luiz Carlos Ribeiro, do Núcleo de Estudos Futebol e Sociedade, da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Esperança

Apesar de ser desanimadora para os clubes paranaenses, a pesquisa projeta um cenário melhor para o futuro. Na faixa etária entre dez e quinze anos, o Atlético aparece com 1,4% da torcida nacional. O número é equivalente às torcidas do Fluminense e do Botafogo juntas.

Entre 16 e 24 anos, o Furacão tem a preferência de 1% dos brasileiros. O Coritiba também aparece em boa situação entre os jovens, com 1% dos torcedores entre dez e quinze anos em todo o Brasil.

No estádio, atleticanos superam gigantes nacionais

Na pesquisa, a situação pode não ser boa. Mas quando se trata de público nos estádios os clubes do Paraná aparecem em posição de destaque. O Atlético, único representante do estado na Série A do Brasileiro, tem a oitava melhor média de público da competição, com 15.341 torcedores por jogo.

O Furacão aparece à frente de clubes como Palmeiras, São, Paulo, Grêmio e Cruzeiro. O Ceará, que faz grande campanha em seu retorno à primeira divisão, está em terceiro lugar.

Em relação à taxa de ocupação de seu estádio, o Atlético é o segundo melhor do Brasil. A cada jogo, a Arena da Baixada tem 55% de seus lugares ocupados. O Rubro-Negro é superado apenas pelo Corinthians, que ocupa 63% dos lugares do Pacaembu.

Série B

Na segunda divisão, os times paranaenses também não fazem feio. O Paraná Clube tem a sexta melhor média de público da competição, com 4.694 torcedores por jogo na Vila Capanema.

O Coritiba, mesmo jogando em Joinville, devido a punição imposta pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), aparece na 12.ª posição, com 2.550 pagantes por partida.